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Casper Libero | Life

Como a Copa do Mundo de 2027 pode mudar a realidade das mulheres no futebol brasileiro?

Beatriz Egreja Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A Copa do Mundo Feminina de 2027 será sediada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho, sendo a primeira Copa Feminina realizada na América Latina. O evento, que representa um grande marco para o futebol e para as mulheres do meio, promete grandes contribuições em infraestrutura e investimento no esporte. Na realidade brasileira, que ainda carrega muita desvalorização e preconceito sobre o futebol feminino, a competição pode ampliar a visibilidade e valorização para as mulheres que vivem, ainda, em um cenário desigual.

O investimento que entra em campo

Em 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou uma série de mudanças voltadas ao futebol feminino, destacando um investimento de R$685 milhões nas competições femininas, além de melhorias nos calendários e em medidas de inclusão. Essa aposta atual que cresce em torno do esporte feminino, ao que tudo indica, não será diferente na Copa do Mundo de 2027: o relatório anual da Fifa prevê que o investimento total para a copa feminina é de aproximadamente R$ 4,2 bilhões.

Em meio a todas essas propostas, surge uma potencial transformação para o futebol feminino a partir da Copa de 2027, acelerando investimentos que ainda são insuficientes. O futebol feminino já apresenta uma estrutura em crescimento, porém seu desempenho ainda não é visto de forma tão eficaz como deveria. Mesmo com a visível mudança em relação a anos anteriores, a infraestrutura segue se mostrando inferior ao que o futebol masculino possui: os estádios, os salários das profissionais, os patrocínios, entre outros.

A Copa do Mundo feminina vem justamente como uma possibilidade de acelerar essa melhoria. Todo esse investimento pode contribuir para consolidar o futebol feminino e reduzir a distância estrutural que ainda existe em relação ao futebol masculino. A competição pode inspirar uma mudança que, há muito tempo, se mostra mais do que necessária.

O palco tão esperado pelo público

Mas essa mudança não depende só dos investimentos, já que a visibilidade do esporte é o que aproxima ele do público. O crescimento do futebol feminino também é construído pelo espaço que possui, tanto na mídia quanto no cotidiano dos torcedores. Há sinais de que existe interesse do público pela modalidade, mas a oferta e a exposição ainda são desafios importantes para o futebol feminino.

A FIFA anunciou no final do ano passado que a Copa do Mundo Feminina de 2027 será transmitida oficialmente pela emissora Globo e pelo canal Cazé TV, plataformas que registraram números expressivos de audiência durante a Copa do Mundo masculina de 2026. Um palco tão grande como esse é difícil de encontrar em competições femininas de futebol, mesmo que exista um grande público por trás que anseia pelo seu destaque: De acordo com a CBF, a final do Brasileirão Feminino de 2024, por exemplo, teve 44.136 pagantes, recorde de público em uma partida de clubes de futebol feminino na América do Sul naquele momento.

Em um mercado que não oferece alternativas suficientes para o público do futebol feminino acompanhá-lo, a Copa do Mundo Feminina pode mudar o cenário ao iniciar a maior divulgação de campeonatos femininos. Com o aumento da audiência para o torneio, sua plateia já existente passa a ter mais oportunidades de acompanhar o esporte, e quem nunca teve contato com a modalidade passa a conhecê-la e poder acompanhá-la com mais facilidade. E não somente isso, a atenção midiática também é muito benéfica para o futebol feminino, por meio das publicidades e das redes sociais. O futebol feminino, historicamente, é menos comentado do que o masculino, e a Copa do Mundo, por ser um evento mundialmente falado, pode trazer uma transformação na mídia quando se trata de futebol feminino, o que seria uma melhora tanto para suas jogadoras quanto para o público que as acompanha.

A Copa termina. E o futebol feminino?

A Copa poderá proporcionar todo esse investimento e visibilidade para o futebol feminino, mas o torneio durará um mês. A mudança depende da continuação dos projetos levantados, para que a oportunidade de fortalecer o futebol delas não seja apenas momentânea, e sim uma presença permanente no esporte daqui pra frente.

Manter a visibilidade do futebol de mulheres em alta cria uma base melhor para as jogadoras do meio, já que com um investimento de qualidade e atenção midiática, suas carreiras no esporte são alavancadas. Garotas que têm o desejo de se tornarem futuras jogadoras também irão adquirir referências mais estruturadas: um estudo feito pela UNESCO divulgou que a taxa de mulheres adolescentes que abandonam a prática esportiva é 6 vezes superior à taxa entre os homens nessa faixa etária. Além das atuais e futuras atletas, mulheres que atuam em outros setores do futebol feminino podem conquistar um espaço maior em suas áreas, como árbitras, preparadoras físicas, entre outras profissionais.

As referências podem deixar de ser desiguais entre os gêneros, mas as mudanças precisam persistir além do torneio. Estruturalmente no Brasil, apesar do título de “País do Futebol”, o preconceito existente entre o futebol masculino e feminino é escancarado. A desigualdade está presente na exposição, na aceitação pela sociedade e nas condições profissionais. A Copa do Mundo de 2027 é capaz de, justamente, reduzir essas diferenças, e a proposta representa uma oportunidade importante. No entanto, a Copa vai abrir portas, mas a permanência de seus projetos futuramente é o que determinará se a virada de página realmente ocorreu.

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O artigo acima foi editado por Beatriz Martins.

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Beatriz Egreja

Casper Libero '29

Estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero !

"Jornalismo que não incomoda não é jornalismo, se você é processado é porque você importa"