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CHER faz 80: relembre a carreira da diva multiartista

Luna Silvano Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Muito antes das divas pop dominarem a indústria, Cher já abria espaço para mulheres na música. A artista atravessou seis décadas sem desaparecer dos holofotes e segue como uma das figuras mais resistentes, influentes e reinventáveis da cultura pop.

Nascida em 20 de maio de 1946, na Califórnia, Estados Unidos, Cherlyn Sarkisian sempre foi pioneira, tanto no visual quanto nas atitudes.Foi a primeira celebridade a popularizar peças como barriga de fora e minissaia, além de se destacar pelo ativismo. No início dos anos 1980, tornou-se uma das primeiras artistas a arrecadar US$ 1 milhão para iniciativas de combate à AIDS infantil.

Cher é filha de um refugiado de origem armênia e da cantora e atriz Georgia Holt, estrela da música e do cinema na década de 1950. Seu nome foi inspirado em Cheryl Crane, filha da atriz Lana Turner, de quem sua mãe era muito fã.

A infância de Cher foi muito difícil. Seus pais viviam um relacionamento turbulento e chegaram a se casar e se divorciar três vezes, neste período, ela e sua irmã, Georganne, viveram temporariamente em um orfanato. Foi em meio a esse cenário turbulento que Cher encontrou sua paixão. Aos 15 anos, ela foi matriculada em uma boa escola particular e passou a organizar, dirigir e coreografar musicais, além de se apresentar nos intervalos das aulas. 

Após um ano, Cher se mudou para Los Angeles com uma amiga em busca do sucesso. Em poucos meses, conheceu Salvatore “Sonny” Bono, assistente de produção do músico Phil Spector, e 11 anos mais velho que ela. Sonny convenceu Phil a contatar Cher como vocalista de apoio, com isso, a parceria profissional e pessoal entre os dois se transformaria, futuramente, em uma das duplas pop mais famosas da década de 1960.

a era cher & sonny

Em outubro de 1964, aos 18 anos, Cher se casou com Bono, que passou a cuidar da carreira da esposa. Ainda na primeira metade da década de 1960, Cher assinou seu primeiro contrato com a gravadora Imperial Records e gravou seus primeiros singles, como “Dream Baby”, e o álbum All I Really Want to Do. 

Os trabalhos solo iniciais não alcançaram grande repercussão, mas o sucesso chegou com a formação da dupla Sonny & Cher. O single “Baby Don’t Go” dominou as paradas. Juntos emplacaram nada menos que seis sucessos no topo da Billboard Hot 100, em pouquíssimo tempo. O primeiro disco da dupla, Look At Us, lançado em 1965, ficou na segunda posição da Billboard 200 por cinco semanas. O principal single, “I Got You Babe”, foi um hit mundial, e transformou o casal em símbolo da cultura jovem dos anos 1960.

Para continuar com o sucesso, Bono organizou um projeto de filme para a dupla, mas o longa de 1967, Good Times, foi um grande fracasso. Dois anos depois, Cher estrelou Chastity (1969), mesmo ano em que nasceu a filha do casal, Chastity Bono, atualmente conhecida como Chaz Bono após sua transição de gênero.

E foi só em 1970 que o casal conseguiu fazer sucesso na TV, com o programa The Sonny & Cher Show, que misturava música e comédia. O seriado consolidou Cher como uma figura querida pelo público norte-americano.

Com figurinos assinados por Bob Mackie, ela chamava atenção não só pelas roupas revolucionárias para a época, com muita transparência, penas, brilhos e recortes ousados, mas também por sua personalidade e beleza. Enquanto outras artistas eram vendidas como figuras “comportadas”, Cher parecia ser moderna, ousada e autoconfiante. A parceria, que atravessa décadas e permanece até hoje, ajudou a construir alguns dos visuais mais marcantes de sua carreira.

Cher ganhou seu primeiro Globo de Ouro na categoria de “Melhor Performance em Série de TV ou Filme” por The Sonny and Cher Show. Pouco tempo depois, em 1971, Cher e Sonny se separam. Mesmo que o casamento tenha enfrentado dificuldades, é inegável que essa relação foi o pontapé inicial para a carreira de grande sucesso da artista.

CARREIRA SOLO E VIDA PESSOAL

Após o divórcio, Cher ganhou um programa solo, The Cher Show, que contou com participações especiais de grandes nomes, como David Bowie e Elton John

Um dos momentos mais marcantes na carreira de Cher foi sua aparição no Met Gala de 1974, quando usou um vestido transparente bordado com cristais e plumas brancas assinado por Bob Mackie. O vestido causou tanta polêmica que foi parar na capa da revista Time. 

No fim da década de 1970, Cher voltou ao topo das paradas com o álbum Take Me Home e iniciou sua primeira turnê solo. Já no começo dos anos 1980, alguns lançamentos decepcionaram crítica e público. O que poderia representar o declínio da carreira acabou se tornando uma oportunidade de reinvenção: Cher voltou seu foco para a atuação.

Nos anos seguintes, Cher atuou na Broadway, recebeu sua primeira indicação ao Oscar e conquistou o Globo de Ouro na categoria “Melhor Atriz Coadjuvante” por sua atuação no filme Silkwood – O Retrato de uma Coragem (1983), como par romântico da atriz Meryl Streep. Em 1988, venceu o Oscar de “Melhor Atriz” por sua atuação como Loretta Castorini em Feitiço da Lua (Moonstruck). Sua estreia como diretora ocorreu em O Preço de uma Escolha (1996). Ao longo da carreira, acumulou três Globos de Ouro, um Emmy, um Oscar e o prêmio de “Melhor Atriz” no Festival de Cannes.

ERA BELIEVE

Ao mesmo tempo em que consolidava a carreira no cinema, Cher mantinha o sucesso na música, vendendo milhões de discos e realizando turnês mundiais. Em 1998, a cantora lançou seu 22º álbum de estúdio, Believe, que é considerado um dos lançamentos mais importantes de sua carreira. 

O single homônimo alcançou o topo das paradas em mais de 20 países e vendeu mais de 11 milhões de cópias mundialmente. A faixa entrou para a história da música pop pelo uso inovador do Auto-Tune, criando o efeito robótico que ficou conhecido como “Efeito Cher”.

Esse sucesso rendeu a indicação para “Gravação do Ano” no Grammy, um convite para cantar o hino nacional no Super Bowl de 1999 e a gravação de vários especiais, como Cher: Live at the MGM Grand in Las Vegas, que ganhou até uma indicação ao Emmy. 

Aos 53 anos, Cher tornou-se a artista mais velha a alcançar o 1º lugar das paradas com Believe. O feito também marcou o encerramento de sua quarta década consecutiva com pelo menos um hit no topo das paradas, um recorde que permanece único em sua carreira.

ícone lgbtqiapn+

Sua estética extravagante, personalidade autêntica e músicas sobre superação ajudaram a transformá-la em um dos maiores ícones da comunidade. Canções como “Strong Enough, If I Could Turn Back Time” e “Believe” se tornaram verdadeiros hinos para diferentes gerações.

Sua única vinda ao Brasil foi por uma causa muito nobre: Cher veio como convidada de honra da associação americana amfAR (Fundação para as Pesquisas da AIDS) e recebeu o prêmio Inspiration por seu engajamento na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ e no combate a AIDS.

Hoje, às vésperas dos 80 anos, Cher continua sendo uma das artistas mais ativas e versáteis da indústria do entretenimento. Com uma carreira construída entre música, televisão, cinema, moda e ativismo, ela se consolidou como uma das maiores figuras da cultura pop mundial.

Mais do que uma cantora ou atriz, Cher se tornou um fenômeno cultural capaz de transformar personalidade, imagem e autenticidade em legado.

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O artigo acima foi editado por Beatriz Martins.

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Luna Silvano

Casper Libero '29

Oi! Sou estudante de Jornalismo na Cásper Líbero, e adoro escrever sobre cultura pop e esportes.