A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou mudanças significativas no calendário do futebol nacional para o período de 2026 a 2029. Uma das alterações mais impactantes é a redução dos campeonatos estaduais de 16 para 11 datas, com início em 11 de janeiro e término em 8 de março. A reformulação reacende uma velha discussão: onde cabem os campeonatos estaduais em meio à modernização do esporte?
Um dos pontos decisivos para essa mudança foi o reajuste de calendário realizado neste ano, para que pudesse haver uma interrupção dos campeonatos nacionais durante a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, e a necessidade de incluir a pausa para a Copa do Mundo de 2026, que vai interromper as competições entre junho e julho. O novo modelo busca alinhar o Brasileirão a padrões internacionais, reduzindo o número de jogos e ampliando o tempo de descanso entre as temporadas. A intenção é tornar o futebol nacional mais competitivo e organizado, além de permitir melhor preparação física dos jogadores e reduzir o desgaste causado pelo excesso de partidas. No entanto, essa reorganização tem um efeito colateral inevitável: o encolhimento do espaço dos estaduais.
Vale destacar que, o novo calendário proposto pela CBF de forma rígida e sem muitas brechas, não dá margem para eventualidades. Situações como a paralisação causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, mostram o quanto é difícil realizar ajustes em um cronograma tão apertado.
Os torneios estaduais, que já foram o coração do futebol brasileiro, estão cada vez mais comprimidos. Com menos datas disponíveis, o formato e a duração das competições regionais devem mudar, afetando principalmente os clubes menores, que dependem desses campeonatos para se manter ativos e garantir visibilidade. Para essas equipes, esses campeonatos representam mais do que tradição. São fonte de renda, vitrine para atletas e parte da identidade cultural de muitas cidades. A diminuição de jogos pode significar menos receita e oportunidades, além de impactos na economia local.
Por outro lado, há quem veja nessas mudanças uma oportunidade de evolução. Um calendário mais enxuto, sobretudo para os times que disputam a série A do Brasileirão, pode elevar o nível técnico das equipes, reduzir lesões e permitir um planejamento mais profissional, algo muito cobrado por atletas e técnicos. Ainda assim, o risco é alto: ao abrir espaço para a modernização, o futebol brasileiro pode acabar perdendo parte de sua essência, construída justamente na diversidade e na rivalidade regional.
Este ano, alguns estaduais extrapolaram a média de 16 datas estabelecidas pela CBF. O Maranhense, por exemplo, utilizou 18 datas, enquanto entre os principais torneios regionais do país o Paulista foi disputado em 16, o Carioca em 15 e o Mineiro em 12. Vale lembrar, inclusive, que a final do Campeonato Paulista deste ano aconteceu após a data limite inicialmente estabelecida pela entidade. A CBF tinha estipulado que todos os estaduais deveriam finalizar até o dia 26 de março, mas o Paulistão conheceu seu campeão um dia mais tarde, no dia 27. O atraso se deu devido ao calendário já conciso em 2025. Esses números mostram como a realidade dos campeonatos é diversa e como a padronização imposta pela entidade pode gerar desafios distintos entre as federações.
A Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) ainda discutem a flexibilidade no formato dos seus torneios. São duas das federações mais influentes do país, com grande poder econômico, força midiática e um número expressivo de torcedores. Por isso, as decisões que tomarem podem servir de termômetro para o que outras entidades estaduais farão nos próximos anos.
Para entender o impacto das mudanças, vale lembrar as principais datas estipuladas pela CBF para a temporada de 2026.
Veja as datas do futebol brasileiro em 2026
Estaduais – 11 de janeiro a 8 de março
Copa do Nordeste – 25 de março a 7 de junho
Copa Verde – 25 de março a 7 de junho
Copa Sul-Sudeste – 25 de março a 7 de junho
Copa do Brasil – 18 de fevereiro a 6 de dezembro
Brasileirão – 28 de janeiro a 2 de dezembro
Série B – 21 de março a 28 de novembro
Série C – 5 de abril a 25 de outubro
Série D – 5 de abril a 13 de setembro
Libertadores – 18 de fevereiro a 28 de novembro
Sul-Americana – 8 de abril a 21 de novembro
Recopa Sul-Americana – 18 e 25 de fevereiro
Copa do Mundo – 11 de junho a 19 de julho
Copa Intercontinental – 9 a 16 de dezembro
Datas Fifa em 2026:
23 a 31 de março
21 de setembro a 6 de outubro
9 a 17 de novembro
Entre ganhos e riscos, o futuro dos campeonatos estaduais segue incerto. As mudanças da CBF apontam para um futebol mais organizado e competitivo, mas também mais concentrado nos grandes clubes. A grande pergunta permanece: é possível modernizar o calendário nacional sem comprometer a essência dessas competições, a paixão e a rivalidade que sempre foram a alma do futebol brasileiro?
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O artigo abaixo editado por Marcele Dias.
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