BBB 19 e o Reflexo Das Problemáticas Brasileiras

Não é segredo para ninguém que o Big Brother Brasil é o reality show mais visto e comentado do país. A ideia do programa é confinar 20 pessoas em uma casa ao longo de três meses e, dessa forma, gerar intrigas, relacionamentos, amizades e muita polêmica. O BBB19 não deixou a desejar neste ultimo quesito, apesar de ser uma das edições mais mornas e com menos brigas, o que vem sendo dito dentro da casa tem afetado profundamente o público, e tocado em feridas encobertas quando se trata da cultura brasileira. Assuntos como racismo, intolerância religiosa, zoofilia, maus tratos aos animais, machismo e homofobia já foram pauta em conversas entre os participantes.

As maiores polêmicas

1. Violência contra mulher

Imagem: Twitter

Antes do início do programa, um dos integrantes da casa, Vanderson, já era cotado como uma das participações mais problemáticas da história do reality por ser acusado na justiça de violência contra mulher e, logo na segunda semana, teve que ser retirado da casa para prestar esclarecimentos sobre o tema na delegacia. A vencedora do BBB 18, Gleici Damasceno, chegou a fazer um post nas redes socias no qual se posicionava contra o acreano, dizendo “agressor de mulher não vai ter vez comigo”.

2. Racismo

Imagem: Twitter

Alan, o surfistinha da edição, também foi envolvido em debates sérios por ser apontado como racista por conta de alguns tweets antigos que foram apagados logo após as denúncias. Além disso, sua ex namorada alegou ter sido vítima dele, que supostamente teria transmitido DST’s para a moça que usa um perfil com o nome de ‘Felizabela’.  No Twitter, a repercussão sobre ambos os assuntos é enorme e, embora as acusações ainda não tenham sido confirmadas nem tampouco descartadas, os internautas não param de especular.

3. Intolerância religiosa

Paula, a menina criada na fazenda e dona de uma porca, é outra que se envolveu em diversas discussões, mas nesse caso em função de comentários feitos dentro do programa. A loira já disse que teria medo de indicar Rodrigo ao paredão por conta de sua religião e está sendo investigada por intolerância religiosa. “Tenho medo do Rodrigo, ele fala de Oxum, mexe com esses trem. Nosso Deus é maior”.

4. Zoofilia

 Imagem: Instagram

O vendedor de queijo, Maycon, é talvez um dos participantes com maior recepção negativa unânime pelo público. O mineiro já declarou ter perdido a virgindade com uma cabra, ato que é crime de zoofilia, disse que brincava de maltratar gatos quando criança e ainda tratou Isabella, seu affair dentro da casa, de forma extremamente machista. A ativista pela causa dos animais, Luisa Mell, chegou a publicar um texto no instagram fazendo campanha contra o participante.

O reflexo do Brasil

Em 2018, ano das eleições, uma forte onda de preconceito tomou conta da sociedade brasileira. Nas mesas de bar, assuntos políticos foram motivo suficiente para acabar com amizades e, em casa, filhos não debatiam mais temas importantes com os pais na intenção de preservar as relações familiares. O Brasil se dividiu e a casa do Big Brother também. Pela primeira vez ocorreu uma divisão tão rápida e clara no reality. Isso se deu porque a escolha do elenco foi feita a partir de estereótipos muito presentes na sociedade: as meninas da roça, os militantes e ativistas, os “boyzinhos”, os mais velhos e as patricinhas e, embora haja muito a ser descoberto sobre a personalidade de cada um, os grupos se formaram de forma imediata pelo que cada um disse em uma breve roda de conversa.

Não é raro em qualquer uma das edições encontrarmos discordâncias entre brothers com relação a visões de mundo diferentes e até preconceitos explícitos, como ocorrido com Jean Wyllys no BBB5, que sofreu um forte ataque por parte de um grupo de homofóbicos. Entretanto, ideias que chegam a ser absurdas jamais haviam tido representantes tão fortes como desta vez.

Paula, por exemplo, está entre os três participantes mais admirados do programa mesmo tendo dito que ficou surpresa quando uma amiga sofreu violência e o homem era branco “Eu pensei que ia chegar e ia ter mó favelão lá”, relatou. Além disso, a menina disse ainda esta semana que não acha legal quando homosexuais querem agir como casal “normal”, quando questionada por Gabriela (homossexual) sobre a sua fala ela rebateu “Tem uns gays que querem provocar se beijando em público”. Existem mais inúmeras amostras de preconceito e até ignorância no programa que não partem apenas dela. Isabella, a miss de Natal, chegou a dizer para Rízia e Gabriela, ambas negras, que sofria racismo reverso porque era loira e muitas vezes vista como patricinha que sempre teve tudo. É claro que a internet não perdoou e a menina acabou recebendo um “aulão” das outras duas.

Esses e outros exemplos são a prova viva de que o programa reflete a diversidade de ideias presente na nossa sociedade e toda a intolerância nela entranhada. Olhar para o lado na sala de aula e não encontrar nenhum negro, não ser amigo de um homosexual assumido e ouvir comentários machistas calado é mais comum do que deveria, e quando isso acontece na televisão, todos em pé de igualdade, aqueles que sempre foram privilegiados se assustam porque sabem que a luta do outro para chegar ali com tal visibilidade foi muito mais dura.

Mas, enquanto isso, a edição corta para as frases icônicas e engraçadas dos preconceituosos e pinta os militantes que tentam explicar seu lado como chatos e intolerantes a opiniões alheias. Afinal, o Brasil não é racista, homofóbico e machista, até tem amigos negros, LGBTQ+ e mulheres.