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Ari Aster, Jordan Peele e mais: conheça os nomes do terror no cinema atual

Júlia Brandino Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Alfred Hitchcock, Tobe Hooper e John Carpenter são diretores clássicos do gênero terror no cinema, artistas que conseguiam representar exatamente os medos da sociedade da época, com muito sangue, sustos e perseguições. No entanto, quando muda-se a sociedade, muda-se as representações artísticas, e com o cinema não foi diferente. 

Nos últimos 15 anos o cinema do terror viveu uma verdadeira metamorfose, criando um espaço para experimentações estéticas e narrativas. Nesse sentido, uma nova geração de diretores vem redefinindo o medo nas telas, entendendo os medos modernos e provando que o terror contemporâneo não apenas assusta mas também reflete o tempo em que vivemos. Nesse Halloween, conheça alguns dos diretores que vem mudando o cenário do horror na última década.

Jordan Peele

Jordan Haworth Peele é um ator, comediante, roteirista, produtor e cineasta norte americano. Começou na comédia de improviso nos anos 2000 e teve sua estréia no mundo do terror com o filme Corra! em 2017. A obra foi sucesso de bilheteria e de crítica, e quebrou paradigmas ao indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e vencer a categoria de Melhor Roteiro Original, um feito raro para filmes do gênero.

Além de Corra!, ele também produziu, escreveu e dirigiu os aclamados filmes Nós (2019) e Não, Não Olhe! (2022), sendo chamado por muitos críticos como alguns dos melhores filmes do século XXI.

Peele tem um estilo de direção inovador e disruptivo. O diretor usa pautas raciais como fator principal para o medo em seus filmes, isso é bem explícito no seu primeiro longa-metragem do gênero, demonstrando seu objetivo em transmitir um desconforto e mal estar que beiram o insuportável.

O cineasta usa do seu talento para mostrar o lado mais podre da sociedade, provocando o espectador a ficar horas pensando e discutindo sobre o filme. Uma de suas assinaturas como diretor é fazer a sensação do protagonista do filme se transformar em uma experiência sensorial, fazendo a audiência se sentir como uma vítima também, principalmente em cenas onde o plano de câmera foca na expressão facial dos atores e desencadeia o terror visual.

No entanto, mesmo produzindo obras tão assustadoras, Peele não deixa seu humor ácido de lado, criando cenas constrangedoras e desconfortáveis que aumentam a atmosfera tensa do filme.

Ari Aster

Filho de uma poetisa e de um musicista, o norte americano Ari Aster viveu no meio artístico desde cedo. Quando criança, ele era obcecado por filmes de terror e foi no ensino médio que se apaixonou pelo cinema. O cineasta começou na carreira escrevendo curtas, e foi durante a faculdade que começou a focar em direção. 

O primeiro curta de Aster, nomeado A Coisa Estranha Sobre os Johnsons, estreou em 2011, e sete anos depois foi quando seu nome foi lançado definitivamente no mercado do terror. Hereditário (2018), o primeiro longa-metragem de sua carreira, conquistou rapidamente o público. 

O sucesso voltou a se repetir com Midsommar, de 2019, mas seu estilo narrativo dividiu opiniões com o lançamento de Beau Tem Medo (2023). O “tropeço” não abalou a popularidade de Ari, já que seu próximo filme, Eddington, estreou no Festival de Cannes de 2025, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo.

O estilo de direção do cineasta é de terror psicológico, marcado por narrativas perturbadoras que combinam humor ácido, violência gráfica e uma fotografia impecável. Ele utiliza uma direção detalhista, com foco na criação de clima através da atmosfera e do design de som e forte presença de simbolismos e metáforas para aprofundar a narrativa. O diretor também se destaca pelo ritmo lento e gradual, pela exploração de temas sensíveis e por sua abordagem nada convencional.

Apesar de ter um estilo muito característico, Aster também é muito versátil, algo perceptível nas diferenças de ambientação entre seus filmes. Em Midsommar, por exemplo, a fotografia mostra apenas ambientes extremamente iluminados, com planos abertos, roupas claras e floridas e personagens sempre sorridentes, Já em Hereditário, a música é construída com sons dissonantes e a fotografia é extremamente misteriosa e muitas vezes escura, simbolizando o caos e os segredos que a família do filme carrega.

Jennifer Kent

A australiana Jennifer Kent começou sua carreira como atriz de TV, estrelando séries como All Saints, Police Rescue e Above the Law, mas ela sempre gostou mesmo de dirigir. Em uma entrevista para o The Guardian, a cineasta revelou que só decidiu se tornar atriz pois  “não tinha ideia de que mulheres também podiam dirigir filmes” 

Tudo mudou quando ela decidiu escrever para o diretor Lars Von Trier pedindo para estudar com ele, e foi surpreendida quando, em 2002, ele a chamou para ajudar com a direção de set do filme Dogville (2003). Depois da participação, Kent dirigiu o seu próprio curta-metragem, Monster (2005), que foi exibido em mais de 50 festivais ao redor do mundo, incluindo Telluride, Montreal World e Aspen Shortsfest.

Em 2014, o curta foi adaptado para um longa-metragem, nomeado O Babadook. O filme recebeu ampla aclamação pela crítica e conseguiu dobrar seu orçamento nas bilheterias, com 4,9 milhões de dólares. 

O roteiro da obra venceu o Prêmio Betty Roland no New South Wales Premier ‘s Literary Awards de 2015. O sucesso se repetiu no segundo filme da cineasta. O suspense e terror psicológico The Nightingale (2018) foi indicado ao Leão de Ouro.

Kent tem uma direção obscura e desorientadora, junto também da cenografia com a trilha sonora. A diretora prefere focar no metafórico e simbólico ao invés do literal em seus filmes, escolhendo retratar psicologicamente a história de personagens falhos ao invés de apenas focar em jumpscares vazios de significado.
Em O Babadook, por exemplo, a fotografia é bem escura e pálida, com a saturação de cor extremamente baixa, demonstrando a monotonia e infelicidade da personagem principal. Na trilha sonora, Kent procurou trabalhar com músicas construídas com paisagens sonoras ao invés de trilhas orquestradas, o que seria mais convencional, trazendo a sensação de desconforto que se baseia em sons comuns do dia a dia.

Robert Eggers

Robert Houston Eggers é designer de produção, diretor e roteirista. Frequentou a American Musical and Dramatic Academy em 2001 e se apaixonou por design, direção e teatro, ao mesmo tempo que se inclinava para o universo do cinema por meio de seus curtas metragens.

Ainda do ensino médio, Eggers havia dirigido uma peça sobre Nosferatu, sendo posteriormente contratado para dirigir uma versão profissional dessa montagem. No entanto, decidiu adiar a produção do longa-metragem para se dedicar a outros projetos. 

A obra iria contar com a atriz Anya Taylor-Joy, que deixou o projeto, mas que posteriormente estrelou o filme de estreia de Robert. A Bruxa, de 2015, participou do Festival Sundance de Cinema antes de ser adquirido pela A24, e conquistou o público com sua atmosfera intrigante. O estilo seguiu em suas demais obras de terror, como O Farol (2019) e Nosferatu (2024).

A direção de Eggers é caracterizada por dramas e terror de época com forte rigor histórico, atmosfera de terror psicológico crescente, uso de linguagem arcaica e precisa e uma atenção obsessiva aos detalhes em cenários e figurinos. Suas obras geralmente abordam temas como fanatismo religioso, isolamento e mitologia.

O cineasta prefere construir gradualmente a partir da atmosfera um terror psicológico. Suas narrativas seguem um ritmo mais lento, explorando diálogos longos, cenas silenciosas e tensas que permitem o espectador mergulhar de cabeça na história. 

Também se destaca a ambientação extremamente fiel ao período, com diálogos preocupados com a linguagem da época, roupas feitas com o mesmo material de antigamente e até mesmo os sets pensados para que os atores continuem imersos mesmo sem estar em cena. 

“Filmamos apenas com luz natural e, em ambientes internos, a única iluminação era a de velas. Foi uma paleta extremamente limitada que manteve tudo unido” disse o diretor em uma matéria para a Format sobre o filme A Bruxa.

Nia DaCosta

Até aqui nesta lista, você conheceu diretores que já fizeram o seu nome no terror, mas há sempre espaços para iniciantes. Nia DaCosta é um deles. A diretora e roteirista tem apenas um filme de terror em sua carreira, Candyman (2021), mas já mostrou todo seu potencial para o gênero. 

Da Costa conta que sempre soube que queria ser escritora. Suas grandes inspirações eram diretores como Martin Scorsese, Sidney Lumet, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola. 

A cineasta iniciou sua carreira como assistente de produção de TV, e foi nesse período que Nia desenvolveu o roteiro de Passando dos Limites (2018), um dos 12 projetos escolhidos pelo Laboratório de Roteiro e Edição de Sundance em 2015.

O grande destaque em sua carreira foi em As Marvels (2023), que a transformou na primeira diretora afro-americana a dirigir um filme da Marvel. A estreia no terror veio em 2018 com Candyman, descrito pela crítica como uma “sequência espiritual” do clássico de 1992.

No reboot, Nia co-escreveu o roteiro com o Jordan Peele, mencionado anteriormente. Mesmo utilizando de efeitos especiais, a diretora também utiliza dos truques de câmera criativos, as mortes são frequentemente filmadas usando reflexos ou ângulos diferenciados que distorcem a percepção.

Nia cria uma narrativa muito interessante com metalinguagem, pois o filme funciona tanto como uma recontextualização da lenda quanto como uma crítica social ao associar a lenda de candyman a um símbolo do trauma coletivo e da violência do sistema contra a população negra,e não apenas um indivíduo vingativo.

Agora, Nia DaCosta parece seguir o caminho do terror. A cineasta é a diretora de Extermínio: O Templo dos Ossos, sequência de Extermínio: A Evolução, que dá continuidade aos acontecimentos da trilogia de apocalipse zumbi dos anos 2000. 

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O artigo acima foi editado por Julia Pujar.

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Júlia Brandino

Casper Libero '28

i'm a advertising and communication student, a bookwarm, passionate about music, movies, writing and everything that involves art in general. " oh captain, my captain!"