A presença de animais em áreas urbanas tem se tornado cada vez mais comum. A falta de um habitat decente faz com que os bichos tenham que se adaptar, buscar novos lugares, comidas e até mudar seus comportamentos para poder viver, ou melhor, sobreviver. Porém, humanos e animais não foram feitos para conviver.
No dia 21 de abril, o caseiro Jorge Avalo foi morto por uma onça no Pantanal. A onça teve um comportamento atípico, já que a tendência é que elas sintam medo dos humanos. Ela estava abaixo do peso, desidratada e possivelmente acostumada à prática de ceva (alimentar os animais silvestres), deixando-a habituada à presença humana. O bicho foi capturado e provavelmente não voltará para o seu lar. O caso repercutiu e dividiu a opinião pública, onde muitos acham que deveriam matá-la, ou nunca mais soltá-la e outros acham que a onça deveria ser solta.
Outro caso recente foi nos Estados Unidos. Um urso pardo devorou Robert Markel e seu cachorro. A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC), matou três ursos para descobrir se algum deles teria sido o culpado.
Infelizmente, há menos espaço pros bichos serem e viverem como animais. Caso ajam como tal, são punidos ou condenados, mesmo que eles estejam sendo o que são: bichos silvestres. O que nos diferencia dos animais, é que nós, humanos, somos capazes de pensar. Somos racionais. Já os bichos, agem por instinto e necessidade. São incapazes de entender o que fazem. Irracionais.
Se nós somos os seres pensantes e não conseguimos raciocinar que não há mais espaço para eles em seus próprios habitats, porque nós tiramos isso deles; e nem nas cidades, porque é o nosso habitat. Então, qual é o futuro dos animais com o aumento excessivo das cidades?
O progresso urbano
Dia após dia, olhamos através da nossa janela e só enxergamos prédios, fábricas e poluição. Cada vez mais o concreto tem avançado sobre as florestas e áreas naturais, reduzindo o habitat e as presas dos animais silvestres. Levando em conta que o crescimento urbano não engloba somente a construção de apartamentos e shoppings, mas também, o processo de industrialização – que é o maior responsável por atrair e concentrar pessoas, emitir gases poluentes, desmatar e usar recursos naturais como se fossem fontes inesgotáveis – podemos afirmar que esse sistema tem papel fundamental na diminuição da fauna.
Perda do habitat
Com o crescimento das cidades e a chegada de mais pessoas, há uma necessidade maior de moradias, estradas, comércios e infraestrutura. Para comportar tudo, áreas como florestas e campos são devastadas, p que faz com que os animais tenham seu habitat fragmentado ou, até mesmo, perdido.
O desmatamento e a queimada são comuns para a agropecuária, comércio e construção civil e também contribui para a ausência do lar animal. Muitos morrem ou são forçados a migrar para áreas menores e menos adequadas, onde não conseguem se reproduzir e têm baixas chances de sobrevivência.
Qualidade ambiental escassa
A emissão de poluentes pode causar a poluição da água e do solo podendo contaminar recursos essenciais para a sobrevivência e afetar a saúde animal. Além disso, a poluição gerada pelos carros, as queimas de combustíveis fósseis e pelas indústrias, liberam gases que contribuem para o efeito estufa – principal fator para o aquecimento global – provocando mudanças climáticas
As mudanças climáticas prejudicam principalmente as espécies endêmicas – típicas de uma região – pois, uma vez que só ocorrem em um local específico, não tem a possibilidade de migrar ou se adaptar. No entanto, essas alterações no clima podem afetar diversos animais em diferentes quesitos.
O derretimento das geleiras e calotas polares fazem com que os ursos polares enfrentem a fome. Eles usam o gelo marinho como plataforma para caçar focas, porém, com o derretimento, precisam adaptar suas dietas – o que não tem acontecido com muitos.
A abelha pode perder sua capacidade cognitiva, não conseguindo reconhecer uma flor ou o caminho de volta a sua colônia, devido ao calor excessivo do ambiente externo Outro exemplo, são as tartarugas, que tendem a ter mais fêmeas que machos. Diferentemente de outros animais, elas dependem de um fator externo para que o sexo do filhote seja determinado: a temperatura da areia. Temperaturas altas (acima de 30 graus) produzem mais fêmeas; temperaturas mais baixas (abaixo de 29 graus) produzem mais machos.
Demais fatores que implicam na redução da qualidade do ambiente são as construções impermeáveis, como asfalto e concreto, reduzem a infiltração de água no solo, prejudicando a fauna aquática e as espécies que dependem de ambientes úmidos e o aumento do barulho, luz artificial e movimento humano, que interferem nos ciclos naturais dos bichos (como o sono, a caça e a reprodução).
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O artigo acima foi editado por Marcele Dias.
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