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“Amores Materialistas”: quanto vale um amor verdadeiro?

Júlia Arruda Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

As comédias românticas foram um dos principais gêneros cinematográficos consumidos nos anos 2000. Filmes como Como Perder um Homem em 10 Dias, De Repente 30 e A Proposta conquistaram rapidamente o público e as bilheterias, firmando um sucesso que se estende até a atualidade.

E o que todos eles têm em comum, além do romance? A receita é simples: uma personagem feminina trabalhadora, preferencialmente jornalista, um cenário nova-iorquino cheio de táxis amarelos e prédios gigantescos, e é claro, um interesse amoroso lindo de morrer.  

Amores Materialistas tem todos esses ingredientes, mas, ainda assim, não agradou como os maiores sucessos do começo da década. Então, qual foi o erro no processo?

A sinopse e divulgação de marketing

Amores Materialistas acompanha uma casamenteira chamada Lucy, que se envolve num triângulo amoroso complicado. Apesar de nutrir sentimentos pelo garçom aspirante a ator John, a jovem começa a se relacionar com Harry, um homem rico e irmão do noivo de um casal que ela uniu com sucesso. Harry é o partido perfeito, mas, ao reencontrar com John numa noite, Lucy se vê balançada pelo antigo amor imperfeito.

Com a volta das comédias românticas dos anos 2000, o público esperava o mesmo estilo para o novo filme de Celine Song. Produções leves, feitas para o telespectador escapar da realidade e encontrar conforto com um enredo mamão com açúcar.

O primeiro passo já estava dado: escolher três atores bonitos, com química e que servissem como uma luva para os respectivos papéis. E a divulgação de marketing reforçou essa aposta: Dakota Johnson, Chris Evans e Pedro Pascal como um triângulo amoroso de tirar o fôlego nos ensaios fotográficos e nos tapetes vermelhos, fortalecendo a expectativa com cartazes de “Team Chris” e “Team Pedro”.

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Chris Evans, Dakota Johnson e Pedro Pascal em “Amores Materialistas” | Foto Reprodução: A24

Mas o filme foi exatamente o oposto. A diretora indicada ao Oscar por Vidas Passadas trouxe uma produção mais próxima com sua primeira obra do que com os estereótipos de comédia romântica. O longa, na verdade, é uma visão moderna de amores e relacionamentos com uma forte crítica ao capitalismo.

Sobre o filme

Ao acompanhar a rotina de Lucy no trabalho, Celine nos coloca frente a frente com a própria forma que nos relacionamos no século XXI. Altura, peso, idade e, principalmente, dinheiro são apenas alguns dos filtros que invisíveis – ou visíveis –  que colocamos na hora de procurar o parceiro ideal.

Chega a ser cômico olhar certos critérios exigidos pedidos pelos clientes, especialmente quando percebemos que aquele retrato é fiel até demais com a nossa realidade em relacionamentos: superficial e materialista. Como a própria diretora afirmou em entrevista, “virou tabu admitir o quanto dinheiro e riqueza se tornaram um item tão importante para o coração”.

Lucy, pragmática por sua profissão, se vê no mesmo dilema quando encontra Harry, o tão sonhado “unicórnio”, e ainda se vê mexida pelo ex-namorado que não preenche metade dos requisitos para o homem perfeito. 

Apesar do filme desenvolver bem sobre como a nossa forma de amar está cada vez mais mercadológica, as críticas se voltaram para o mesmo lado – a escolha de Lucy. Afinal, o que importa em um romance com triângulo amoroso é com qual galã a mocinha ficará no final da história. E a escolha não agradou.

A principal review de Amores Materialistas no Letterboxd acusa o longa de ser uma “broke men propaganda” – termo fortemente repudiado pela diretora. Alguns até gostaram da decisão, mas a maioria dos fãs esperava algo mais realista, seguindo os ideais que Lucy afirma buscar no começo do filme: um homem rico. O quão coerente é um final em que a protagonista escolhe um relacionamento já fracassado ao invés das próprias convicções sobre amor? 

Ainda assim, o fato do triângulo amoroso não envolver um “vilão” caricato foi um acerto da autora, que torna a dinâmica dos três ainda mais realista. Lucy é constantemente moldada pela primeira e principal referência de amor em sua vida – seus pais – e fala abertamente sobre a necessidade de estabilidade como forma de conforto. 

As decisões não são fáceis, e as respostas, menos ainda. Por mais incrível que Harry seja, ele não tem a ligação sentimental necessária com Lucy, e o grande diferencial de John está justamente no que o dinheiro não pode comprar.

Transitando entre o urbano e o rural; amor e dinheiro; razão e emoção, o jeito melancólico que Celine Song fala de amor nos traz uma comédia romântica mais realista e verdadeira, abordando a busca por status e a complexidade das relações no capitalismo

“O amor é uma coisa que o capitalismo não pode tocar porque é de graça, de uma forma antiga e muito sagrada”, conclui Song.

Talvez, o amor, realmente, não tenha preço.

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O artigo acima foi editado por Sophia Claro.

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Júlia Arruda

Casper Libero '25

Uma estudante de jornalismo com um coração gigante que bate pelo esporte e pela cultura, usando da escrita para contar as mais belas histórias!