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Aeromodelismo: o esporte que não é brinquedo

Nina Simonetti Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Mais de trinta anos antes da invenção do avião, a ideia de construir modelos voadores já instigava as mentes de alguns curiosos. George Cayley, no início do século XIX, e Alphonse Penaud, na década de 1870, criaram pequenos protótipos para testar princípios da aerodinâmica.

A CRIAÇÃO DOS MODELOS

Até o século XVIII, muitos pesquisadores buscavam propostas técnicas que reproduzissem o movimento dos pássaros. Quase todos os projetos tinham asas que batiam, os chamados ornitópteros. Ao mesmo tempo que a estrutura precisava sustentar seu peso, precisava impulsionar o aparelho para frente, o que era uma missão quase impossível, já que os mecanismos disponíveis eram pesados e ineficientes.

Cayley ficou conhecido como “pai da aviação”. O inglês propôs uma separação entre as asas fixas, que garantiam a sustentação e a propulsão. Para testar o projeto, ele construiu planadores em escala reduzida antes de, enfim, arriscar em um tripulado.

Porém, ainda havia um problema a ser resolvido. Os engenheiros precisavam, além de uma teoria completa de sustentação, um motor adequado que aguentasse a estrutura. Penaud, em 1870, apresentou um modelo movido a elástico torcido. Era barato, acessível e foi a origem da linhagem dos modelos que dura até hoje.

DO HOBBY AO ESPORTE

Com essa nova descoberta, a ideia de que qualquer um poderia criar um aparelho voador interessava cada vez mais o público. Nesse período, veículos de comunicação passaram a publicar instruções de montagem, e algumas empresas começaram a vender kits de peças prontas, o que incentivava a construção caseira. Com esse mercado crescendo, alguns clubes foram se formando, na Inglaterra e nos Estados Unidos, como um espaço para trocas de experiências e de demonstrações.

O crescimento dessa comunidade levou à fundação de associações nacionais, como a Society of Model Aeronautical Engineers (SMAE), no Reino Unido e a Academy of Model Aeronautics (AMA), nos EUA, as quais iniciaram a organização de competições internacionais, como a Wakefield Cup, no final dos anos 1920.

A Segunda Guerra Mundial acabou interrompendo a atividade em muitos lugares, mas, ao mesmo tempo, formou, além de uma eletrônica mais avançada, uma geração com mais conhecimentos técnicos. Com a popularização do rádio controle, uso de sinais de rádio para comandar um dispositivo à distância, o aeromodelismo se consagrou como um modo de pilotagem oficial.

MODALIDADES

VCC (Voo Circular Controlado): o modelo voa em círculos e é controlado por cabos;

Voo livre: depois de lançado, o modelo não é mais controlado. Pode ter motor, elástico ou até nenhum meio de propulsão.

Rádio Controle: o piloto comanda o modelo por meio de um rádio.

Dentro de cada modalidade há ainda subdivisões, como acrobacias e escalas.

a prática NO BRASIL

No Brasil, a entidade que cuida da modalidade é a COBRA, fundada em 1959 como Associação Brasileira de Aeromodelismo (ABA) e virou Confederação em 2008. A instituição é membro da Comissão Internacional de Aeromodelismo (CIAM). Como entidade máxima, a COBRA reúne os clubes e associações do país, organiza os campeonatos brasileiros e representa a modalidade internacionalmente.

No calendário da COBRA, o Campeonato Brasileiro é o principal título nacional, mas existe também a Copa Brasil, Escala Brasil e o Ranking COBRA. O Campeonato Brasileiro costuma ser dividido em etapas, por modalidades, em diferentes cidades. Os eventos acontecem em aeromodeçódromos, locais próprios, com estruturas preparadas, para pouso e decolagem.

ACESSIBILIDADE

Uma reportagem do InfoMoney descreve o aeromodelismo como um esporte apreciado por jovens e adultos no mundo inteiro. A mesma matéria aponta que um aeromodelo no Brasil custa a partir de R$1.500, podendo chegar até R$20 mil, o que indica que os gastos acabam sendo uma barreira de adesão.

A Federação Aeronáutica Internacional (FAI) publicou que, na Hungria, a participação de jovens e mulheres é baixa e dos quase 1600 membros da associação húngara, cerca de cinquenta têm menos de 18 anos. Uma coluna da revista americana Model Aviation, de 2005, também indica que é um meio dominado por homens.

No cenário brasileiro, a COBRA diz que seu objetivo é difundir ainda mais o esporte e identificar novos pilotos que queiram competir.

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O artigo acima foi editado por Giovana Lazarin.

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Nina Simonetti

Casper Libero '29

Journalism student passionate about culture, entertainment and politics