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Abril Marrom: conscientização para prevenir a cegueira e reconstruir caminhos

Catharina Gonçalves Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Por muito tempo, os indivíduos com baixa visão e deficiências visuais diversas nunca foram vistos, e muito menos compreendidos, ou seja, sempre encararam desafios e os preconceitos da sociedade sozinhos.

A partir de 2016, inspirado no Dia Nacional do Sistema Braille – oito (8) de abril -, o “Abril Marrom” foi criado. O mês é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção, combate e reabilitação às diversas espécies de cegueira, e a origem desse nome é derivada da cor da maioria dos olhos da população brasileira, da cor mais comum, o marrom.

A importância da conscientização à cegueira

A cegueira e as diversas condições oftalmológicas nunca foram dadas muita atenção, mas com esses novos movimentos, as campanhas e a própria criação do “Abril Marrom”, a pauta começou a ganhar uma maior visibilidade. Esse crescimento no debate público tem permitido que a deficiência visual seja tratada não apenas como uma condição de saúde, mas também como uma questão social, que envolve direitos, acessibilidade e inclusão.

Conscientizar a sociedade é um passo fundamental para desconstruir estigmas históricos e ampliar o entendimento sobre as múltiplas formas de deficiência visual. Muitas vezes, a falta de informação gera julgamentos equivocados, inviabiliza vivências e reforça práticas excludentes. O Abril Marrom surge, portanto, como um instrumento de diálogo, educação e transformação social.

Prevenção da cegueira: informação que cuida e salva

Grande parte dos casos de cegueira poderia ser evitada ou ter seus impactos reduzidos por meio da prevenção e do diagnóstico precoce. Consultas oftalmológicas regulares, acompanhamento médico adequado e atenção aos primeiros sinais de alterações visuais são medidas essenciais para a saúde ocular.

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Campanhas como o Abril Marrom cumprem um papel educativo ao alertar a população sobre doenças que, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa, como o glaucoma e a retinopatia diabética. Além disso, reforçam a importância do acesso à saúde pública de qualidade, da ampliação de políticas preventivas e da democratização da informação, especialmente para populações mais vulneráveis.

Os desafios enfrentados por pessoas com baixa visão e deficiência visual

Apesar dos avanços na conscientização, pessoas com baixa visão e deficiência visual ainda enfrentam inúmeros desafios no cotidiano. Barreiras arquitetônicas e urbanísticas seguem sendo uma realidade nas cidades brasileiras, dificultando o deslocamento e comprometendo a autonomia.

Somam-se a isso as barreiras atitudinais, marcadas pela falta de preparo da sociedade para conviver com a diversidade. Muitas pessoas ainda não sabem como oferecer ajuda de forma respeitosa ou como garantir acessibilidade em ambientes educacionais, profissionais e culturais. Esse cenário reforça a exclusão e impacta diretamente na qualidade de vida dessas pessoas.

A bengala verde e o reconhecimento da baixa visão

Dentro do universo da deficiência visual, é fundamental compreender que nem todas as pessoas são totalmente cegas. A baixa visão é uma condição que permite algum grau de percepção visual, mas que ainda impõe limitações significativas no dia a dia. Nesse contexto, a bengala verde surge como um importante símbolo de identificação.

A bengala verde indica que o usuário possui baixa visão, diferenciando-se da bengala branca, tradicionalmente usada para a cegueira total. Seu uso contribui para a segurança, autonomia e visibilidade dessas pessoas, além de favorecer uma interação social mais consciente, respeitosa e adequada.

A Bengala Verde Brasil como instrumento de inclusão

A atuação da Bengala Verde Brasil representa um avanço significativo na luta por reconhecimento, informação e acessibilidade para pessoas com baixa visão. Por meio da organização e da divulgação do uso da bengala verde, a instituição contribui diretamente para a conscientização da sociedade sobre as especificidades dessa condição, promovendo mais respeito e compreensão no convívio social.

Mais do que incentivar o uso de um recurso de mobilidade, a Bengala Verde Brasil trabalha para dar visibilidade às pessoas com baixa visão, fortalecendo sua autonomia e seu direito à cidade. A difusão da bengala verde como símbolo de identificação amplia o debate sobre políticas públicas, acessibilidade universal e inclusão, destacando a diversidade existente dentro do próprio universo da deficiência visual.

De acordo com a Diretora da Bengala Verde Brasil e psicóloga, Cecília Vasconcellos, a organização tem dois objetivos principais: “O primeiro objetivo é conscientizar a população sobre a deficiência visual, ensinando para a população que existem deficiências visuais, diferentes graus de perda visual, diferentes tipos de perda visual, e então isso vai trazer prejuízos diferentes para essa pessoa; E o segundo é trazer qualidade de vida para as pessoas com deficiência visual, que a deficiência visual é algo incurável, intratável, que precisa de cuidado”.

A profissional também fala sobre o desafio que as pessoas com baixa visão sofriam e sofrem nos dias de hoje, e o como a bengala verde ajuda nesse desafio. “ Os desafios de mostrar que cada pessoa pode ter uma deficiência visual diferente, como diversos indivíduos achando que pessoas com baixa visão estavam fazendo cena, sendo falsas,  fizeram com que desenvolvessem a própria bengala verde, que representa essas pessoas que enxergam pouco, distinguindo a pessoa cega”.

Mais do que um mês: reconstruir caminhos todos os dias

O Abril Marrom vai além de uma campanha pontual no calendário. Ele representa um convite permanente à reflexão, ao cuidado e à empatia. Prevenir a cegueira, promover acessibilidade e combater o preconceito são responsabilidades contínuas, que exigem ação coletiva e compromisso social.

Reconstruir caminhos significa garantir visibilidade, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual e baixa visão. Quando a informação circula e a sociedade se conscientiza, torna-se possível enxergar além das limitações, valorizando histórias, trajetórias e direitos.

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O artigo acima foi editado por Duda Kabzas.

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Catharina Gonçalves

Casper Libero '29

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