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A segunda temporada de The Last of Us está sendo tão boa quanto o jogo?

Lavínia Vilas Bôas Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Após tanto esperar, os fãs de The Last of Us foram abençoados em abril com o lançamento da segunda temporada da série. Sem episódios novos desde 2023, podemos matar um pouco da saudade do nosso jogo favorito (e aproveitar para sofrer mais um pouquinho) com sua nova adaptação. 

A série está passando na Max desde o dia 13 desse mês e terá 7 episódios, que serão lançados nos próximos domingos. Nesta matéria, irei analisar os primeiros três episódios lançados.

Que a produção do jogo feito pela Naught Dog é aclamada todo mundo já sabe. O que preocupa é se a série vai chegar aos pés do que é o The Last of Us que já conhecemos no mundo dos videogames, com cenas fiéis e nossos personagens favoritos em carne e osso. Será que a espera valeu a pena?

Adaptação dos novos personagens 

“Lentamente. Quando matarmos ele, vamos matar lentamente”, a nova personagem diz em sua primeira aparição. A escolha de Kaitlyn Dever dar vida a Abby foi perfeita, e não só pela aparência e o visual — mesmo que não parecido com o jogo, na qual Abby é uma personagem musculosa — mas pela raiva transmitida pela atriz. 

A loirinha que divide todos entre amor e ódio foi extremamente bem interpretada, nos fazendo sentir tudo o que sentimos jogando, e tudo isso nos primeiros minutos da trama. 

Dina, interpretada pela Isabela Merced, também pode ser destacada. A atriz poderia lembrar mais a personagem em termos de aparência, mas a vibe que ela transmite é como se fosse a personagem em vida. 

Divertida e encantadora, são adjetivos que podem descrever 1% do que Dina representa no jogo, e assim foi feito por Merced, que deu vida de forma impecável para a personagem. 

Por último, mas não menos importante, temos o Jesse que ficou incrivelmente fiel, interpretado por Young Mazino. Enquanto jogava, imaginava ele exatamente do mesmo jeito como foi retratado na série, de verdade. 

Linha do tempo: Melhorou ou piorou?

Diferentemente do jogo, no qual Neil Druckman — diretor de criação do jogo e produtor executivo da série — brinca com o tempo nos dando flashbacks esporadicamente, a série retrata os eventos em ordem cronológica. 

Não posso dizer que amei essa escolha, porque algumas cenas que poderiam ser melhor aproveitadas acabaram perdendo o encanto com essa reordenação de eventos e amenizando o suspense transmitido no jogo. 

A festa de Réveillon logo no primeiro episódio com a confusão entre Seth (Robert John Burke), Ellie (Bella Ramsey) e Joel (Pedro Pascal) é um exemplo de mau uso dessa adaptação. No segundo jogo, essa situação aparece como um flashback em um de seus últimos momentos, fazendo todo player sentir a dor da perda de Joel novamente, quando testemunhamos o quão mal ele é tratado por Ellie ao fim da cena. 

Em contrapartida, momentos do arco da Abby que não foram muito explicados no jogo recuperam mais sentido na série, como, por exemplo, sua primeira aparição em frente ao túmulo do pai, contextualizando um pouco mais suas motivações logo no início da série.

Joel, terapia e um novo personagem

Algo totalmente novo que adicionaram a série foram as idas de Joel à psicóloga. Esse novo toque de realismo na adaptação é legal, já que em um mundo pós-apocalíptico uma terapeuta é tão necessária quanto homens armados. 

Apresentada como Gail (Catherine O’Hara), acompanhamos no primeiro episódio a ida de Joel até uma de suas consultas. Ainda mantiveram a casca-grossa do personagem, mostrando a dificuldade de se abrir e falar sobre o que realmente o atormentava: a relação com Ellie e como foi abalada depois de tudo o que passaram na primeira temporada.

Eugene, marido de Gail, é rapidamente mencionado em alguns momentos do jogo, diferentemente da adaptação, o que acaba gerando uma grande abertura para um provável novo arco narrativo que explore esse personagem. 

Cinematografia e cenas 

É impressionante a semelhança construída entre a série e o jogo. A reconstrução dos infectados, a retratação de Jackson e todo o cenário no geral são de arrepiar de tão bem feitos. 

Mas, além dos cenários, cenas completas carregam essa construção fiel que chega a ser assustadora, como Abby fugindo dos infectados, no segundo episódio.

A riqueza de detalhes acrescentados também fez a diferença, como os estaladores soterrados pela neve despertando.

Outra cena como essa foi a morte de Joel, que foi extremamente forte e ainda pior do que no jogo. O episódio 2 foi um daqueles em que você se sente tenso o tempo inteiro, o que foi piorado pela invasão que acontecia em Jackson, ocorrida em paralelo com a cena.

Seguida ainda de um longo e silencioso terceiro episódio, que focou ainda mais no luto dos personagens juntamente com a incrível recriação da casa de Joel por dentro.

“Seu último momento com a pessoa não define tudo o que viveram juntos”. O corte da última conversa entre Joel e Ellie na varanda deixou a consciência da protagonista ainda mais pesada. O que servia de consolo no jogo como a última conversa entre os dois, na série, só deixou a situação mais triste.

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O texto acima foi editado por Eduarda Lessa.

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Lavínia Vilas Bôas

Casper Libero '28

Lavínia, 18 anos e estudante do primeiro semestre de jornalismo na Fundação Cásper Líbero. Cinema, música, moda e o jornalismo cultural no geral me interessam muito.