Você já deve ter ouvido falar sobre o bandido que roubava dos ricos para dar aos pobres. A lenda inglesa de Robin Hood vem sendo contada desde os tempos medievais por meio de baladas — posteriormente evoluindo para livros, peças de teatro e obras cinematográficas. A cultura de massa o tornou um dos anti-heróis mais famosos da ficção. Porém, se analisarmos a realidade histórica do personagem, os bandoleiros da Idade Média eram muito mais brutais e impiedosos. Foi pensando nisso que o diretor Michael Sarnoski decidiu recontar a história do “Príncipe dos Ladrões” de forma mais sombria e misteriosa em A Morte de Robin Hood.
“Foi menos. Vamos fazer do Robin Hood um cara mau e, mais, vamos pensar em como realmente era a vida de um bandido do período medieval.” — declarou Sarnoski ao The Hollywood Reporter.
O QUE ESPERAR: SINOPSE E CONSIDERAÇÕES
A releitura de Michael Sarnoski — produzida pela A24 — traz Robin Hood (Hugh Jackman) durante seus últimos tempos de vida. O bandoleiro é convencido por seu amigo, Pequeno João (Bill Skargärd), a participar de uma última batalha. À beira da morte, Robin é levado a um Priorado no qual é tratado pela prioresa Brigid (Jodie Comer). Durante a recuperação, ele convive com um homem misterioso (Murray Bartlett) e uma menina traumatizada (Faith Delaney). Sua estadia o faz refletir sobre seu passado brutal, cheio de crimes e assassinatos.
No início da trama, Sarnoski busca captar a visão macro do personagem, com cenas de luta que demonstram toda a característica violenta e impiedosa de Robin. Utilizando a tela widescreen e uma fotografia mais sombria em tons frios e cinzentos, a atmosfera desses primeiros momentos corrobora para o aspecto introspectivo, solitário e cruel.
Quando Hood chega ao Priorado, o uso de um enquadramento mais fechado — no qual o protagonista está sempre centralizado — traz a proximidade entre espectador e personagem. As cores também se tornam mais vibrantes durante esse processo de cura. A fotografia sempre acompanha o arco de Robin, funcionando como uma extensão que evidencia o seu estado psicológico.
Diferentemente das obras originais de Robin Hood, a versão de Sarnoski não apresenta motivações por trás da violência do bandoleiro. Enquanto um era considerado o benfeitor que roubava dos ricos para dar aos pobres, o outro mata simplesmente pelo prazer de matar; nenhum motivo é apresentado para justificar essa natureza brutal. A escolha de Hugh Jackman de interpretar um homem envelhecido e debilitado física e emocionalmente se mostra um acerto, além de ser uma decisão confortável, já que ele fez algo parecido com Logan.
O diretor opta por trazer a lembrança do justiceiro que conhecemos por meio dos personagens, que encontram um espaço dentro da narrativa para resgatar as histórias fictícias sobre o homem que protegia os humildes. Todas as versões sobre Robin Hood contam a mesma história sobre sua morte. Nessa produção, os últimos momentos do bandoleiro também mantiveram partes das histórias já conhecidas, sofrendo as adaptações necessárias para se encaixar no contexto criado por Michael.
POR TRÁS DAS CÂMERAS
Com a intenção de trazer a realidade do século XIII, A Morte de Robin Hood foi gravada no norte da Irlanda em castelos e igrejas antigas. O objetivo era capturar a grandiosidade da arquitetura da Idade Média e trazer o máximo de elementos verossímeis para o longa. O designer de produção, David Lee, desenhou os cenários à mão ao lado do diretor. O Priorado foi projetado como um antigo templo romano, que passou por reformas e invasões ao longo dos séculos.
“Nós realmente queríamos sentir que estávamos capturando a conexão entre natureza, espiritualismo e a violência intensa dos tempos medievais.” – explicou Sarnoski no canal do YouTube do programa de TV estadunidense Entertainment Tonight.
Em entrevista concedida à revista Entertainment Weekly, Hugh revelou que, juntamente com seus colegas de elenco, passou por um treinamento físico intenso. As cenas de luta geraram um grande desgaste, principalmente quando Robin luta contra o personagem de Elijah Ungvary, no início do filme. Além das longas horas de gravação, Sarnoski revelou que uma chuva torrencial havia atingido o local de filmagem, portanto, a lama presente na cena era fruto de um efeito prático. “[…] havia cerca de 30 centímetros de lama. O Hugh e o Elijah ficaram com os rostos enterrados nela.”
Essa cena rendeu a Jackman um de seus momentos favoritos. Ele disse que a exaustão e o desgaste eram tantos que acabou deitando em cima do seu parceiro de combate para descansar. Isso o fez refletir sobre a intimidade que a violência traz: “Em outro filme, eles poderiam se passar por amantes, de um jeito estranho. Mas existe uma intimidade peculiar quando se está lutando corpo a corpo. Havia algo muito legal nisso.”
Todo o preparo físico também serviu para a sustentação do figurino do intérprete do “Rei dos Ladrões”. Hugh usou uma jaqueta que pesava, aproximadamente, 91 quilogramas. “Foram necessárias três pessoas para colocar [a jaqueta]”, revelou ao programa televisivo Good Morning America.
Confira o trailer de A Morte de Robin Hood.
O artigo acima foi editado por Carol Malheiro.
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