Nos últimos anos o cinema brasileiro vem ganhando destaque no mundo com suas indicações às principais premiações do cinema, como o Oscar. Dessa forma, a cultura do país se faz presente em todos os registros cinematográficos, tornando-o mais conhecido internacionalmente.
Aqui vão cinco filmes, não tão óbvios, para você que quer entender mais sobre a identidade brasileira através do cinema.
Homem com H
O filme, que retrata a trajetória de Ney Matogrosso, interpretado por Jesuíta Barbosa, traz por meio da música, da performance e da coragem o retrato do Brasil. Ney desafiou os padrões culturais e sociais do país em um período de forte censura e repressão política. Destacando-se por suas apresentações ousadas, com figurinos que chamavam atenção e sua expressão corporal.
O conceito de “ser homem” no Brasil, conforme discutido no filme, é um desafio que envolve a desconstrução da representação de gênero. Ney rompeu com os padrões da masculinidade da época.
Ney é o “Homem com H” definido não por sua virilidade tradicional, mas por sua coragem de rejeitar todas as definições impostas pela sociedade. Essa “masculinidade opositora” é apresentada como uma das contribuições mais potentes do artista para a cultura nacional, abrindo caminho para que outros pudessem expressar sua sexualidade e gênero de forma livre.
Assim o cantor utilizava suas músicas e sua arte como forma de resistência cultural e social. Ele mostra que ser brasileiro é ter coragem para lutar contra as injustiças e preconceitos no país e aceitar que o Brasil possui diversidades culturais, garantindo a todos a plena liberdade de expressão.
Central do Brasil
O filme conta a história de Dora, Fernanda Montenegro, uma ex-professora que trabalha escrevendo cartas para pessoas analfabetas na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Inicialmente relutante, Dora acaba acompanhando Josué, Vinícius de Oliveira, em uma viagem até o interior do Nordeste, em busca do pai do garoto.
Esse filme retrata a identidade brasileira ao mostrar os aspectos sociais, culturais e humanos que formam o país. No início do longa, a desigualdade social no Brasil é retratada através da vida simples das pessoas que frequentam a estação Central do Brasil para pedir ajuda na escrita de cartas. O fato de muitas delas serem analfabetas revela a dificuldade no acesso à educação e às oportunidades, o que faz parte parte da realidade de muitos brasileiros.
Além disso, a busca de Josué pelo pai simboliza uma busca por pertencimento e por suas próprias origens, a busca pela própria identidade, tanto individual quanto coletiva. Ao longo da jornada, Dora também passa por uma transformação pessoal, redescobrindo valores como empatia, solidariedade e afeto ao ajudar o menino.
A Grande Família
O filme é baseado na série “A Grande Família”, exibida pela Globo. A história conta sobre o cotidiano da Família Silva, uma típica família de classe média baixa do subúrbio brasileiro.
A família vive em um bairro simples e enfrenta problemas que fazem parte da realidade de muitos brasileiros, como questões econômicas, trabalho, consumo e organização da vida doméstica. Essa proximidade com a realidade faz com que o público se reconheça nos personagens.
O humor, gênero empregado no longa, é uma característica muito presente na cultura brasileira também, sendo frequentemente utilizado como forma de lidar com dificuldades e tensões da vida diária. No filme, as confusões e exageros dos personagens criam situações engraçadas, mas também revelam aspectos reais das relações familiares.
O filme também destaca a importância da família como um dos principais valores sociais no Brasil. Mesmo diante de brigas, divergências e frustrações, os personagens demonstram que os laços familiares continuam sendo fundamentais para o apoio emocional e para a construção da vida em sociedade.
O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias
Esse filme se passa na ditadura militar em 1970. A história acompanha Mauro, Michel Joelsas, um garoto de 12 anos apaixonado por futebol, especialmente pela Seleção Brasileira, que foi separado de seus pais, que perseguidos pelo regime militar, precisaram fugir às pressas e dizer ao filho que “tirariam férias”.
Enquanto espera o retorno dos pais, Mauro vive novas experiências. Ele cria amizades e acompanha a empolgação nacional com a Copa do Mundo, em meio a um contexto político marcado pela repressão da ditadura militar.
O filme mostra como esse contexto político afetava a vida das pessoas comuns, inclusive crianças e famílias que precisavam se separar para fugir da perseguição política. Além disso, o longa retrata como, mesmo em um momento de tensões, o futebol aparece como uma forma de esperança e de compartilhamento de emoções entre as pessoas, funcionando como um elemento de união nacional e de construção de identidade cultural do Brasil.
São Paulo S.A.
O filme acompanha a vida de Carlos, Walmor Chagas, um jovem que trabalha em empresas ligadas à indústria automobilística na cidade de São Paulo. Carlos tenta construir uma vida estável dentro do mundo empresarial que cresce rapidamente durante o processo de industrialização do país.
Ambientada no fim da década de 1950, a trama narra o período de intensa industrialização e crescimento urbano vivido no Brasil. Com muitas pessoas migrando da zona rural para a capital em busca de trabalho e melhores condições de vida.
O avanço industrial trouxe novas pressões sociais, como a valorização do consumo, da produtividade e do sucesso profissional. Além disso, o filme traz a mudança na forma de viver em cidades grandes, por suas rotinas aceleradas, relações distantes e pela sensação de invisibilidade.
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O artigo acima foi editado por Marcele Dias.Gosta desse tipo de conteúdo?
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