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136 anos de Agatha Christie: Como a Rainha do Crime revolucionou o romance policial?

Maju Oliveira Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nascida em 15 de setembro de 1890 e falecida em 1976, no Reino Unido, Agatha Mary Clarissa Christie completaria hoje os seus 136 anos. Ao longo de sua carreira, a escritora britânica ficou conhecida internacionalmente como Rainha do Crime,sendo uma das figuras mais aclamadas do romance policial – gênero literário que narra investigações e soluções de crimes.

No decorrer de sua trajetória, Agatha totalizou 80 livros publicados, sendo 66 deles romances policiais e 14 coletâneas de contos. Em relação às vendas, a autora acumulou, ainda viva, cerca de 300 milhões de exemplares vendidos em países distintos, além de ter tido obras como O Assassinato no Expresso do Oriente adaptadas para o cinema, em 1974.

De enfermeira voluntária a Rainha do Crime

Antes de se dedicar inteiramente à escrita, Agatha trabalhou como enfermeira voluntária em um hospital de soldados feridos durante a Primeira Guerra Mundial. Logo depois, em 1917, atuou como auxiliar de farmácia hospitalar, onde pôde compreender o funcionamento de medicamentos e toxinas, posteriormente abordados em suas obras.

Apesar de ter vivido em uma época em que a literatura ainda era predominantemente patriarcal, Agatha Christie não deixou que isso a impedisse de seguir sua maior paixão, a escrita. Até conseguir publicar o seu primeiro romance, O Misterioso Caso de Styles (1920), a autora teve o seu manuscrito rejeitado por seis editoras. Persistente, ela seguiu tentando, até que em 1920,a editora The Bodley Head aprovou a publicação de seu livro.

Depois de sua primeira obra, Agatha nunca mais parou. Ao longo de sua vida, a autora manteve por anos uma produção literária constante e rápida em relação aos escritores da época. A escritora se destacou por suas histórias cativarem leitores em cada uma das páginas, despertando o interesse em desvendar os seus mistérios.

O jeito de narrar que nunca sai de moda

Mesmo depois de seu falecimento, pode-se dizer que a Rainha do Crime segue viva para muitos. Além de atravessar gerações de leitores, Agatha Christie se consagrou como uma grande inspiração para escritores contemporâneos do gênero.

Em entrevista para a Her Campus, Michely Vogel, professora e fundadora do projeto “Chá com a Rainha do Crime” na UFF(Universidade Federal Fluminense) afirma que uma das particularidades de sua escrita que lhe permitiu alcançar um grande público é a simplicidade em retratar cenas cotidianas.Agatha sempre utilizou uma linguagem mais simples, mais fácil e mais fluída, com o intuito de entregar o enigma ao leitor.” O principal objetivo da autora era narrar o crime e sua investigação, de forma atraente.

A professora também explica que outra característica é que Agatha rompeu certas “regras” na escrita de suas obras. Na década de 1920, o escritor estadunidense Willard Huntington Wright escreveu uma série de regras para histórias de mistério, entre as quais uma estabelecia que a verdade do mistério deveria ser óbvia. No entanto, quem já leu a Rainha do Crime sabe muito bem que em diversas vezes as soluções dos crimes estão longe de serem evidentes.

O Assassinato de Roger Ackroyd: O melhor romance policial da história

Em 2013, Agatha se tornou a autora do melhor romance policial de todos os tempos: O Assassinato de Roger Ackroyd. A obra foi eleita pela  Associação Britânica de Escritores Policiais como melhor romance do gênero.

O livro,originalmente The Murder of Roger Ackroyd, foi apresentado ao público pela primeira vez em 1925, por meio do jornal London Evening News. Apenas alguns meses depois, em 1926 o romance foi publicado em formato de livro. Aqui no Brasil, a história chegou às livrarias somente no ano de 1933.

Embora tenha gerado críticas, o desfecho surpreendente e inédito da obra foi um dos aspectos que a fez ter vencido a premiação. Michely Vogel acredita que esse mérito também está atrelado à força do narrador na obra.

“É um narrador não confiável, só que o leitor quer confiar nele. Para mim ele é meio que um Dom Casmurro atual.” 

– Michely Vogel

No decorrer da história, o narrador – não confiável – Dr. James Sheppard narra as investigações feitas pelo detetive Hercule Poirot sobre o assassinato de Roger Ackroyd, tentando convencer o leitor desconfiado de que tudo o que conta é verídico.

A construção profunda de seus personagens

Apesar da breve descrição física de seus detetives, Agatha se aprofundava nas características psicológicas e jeitos de agir de cada um deles, permitindo uma proximidade e conexão com o leitor.

Os famosos Poirot, Miss Marple, e a dupla Tommy & Tuppence, conquistaram o público por apresentarem traços comuns à sociedade, ao contrário de outros colegas de profissão fictícios que possuem qualidades inalcançáveis. Apesar de suas características não saírem de um padrão humano, elas eram únicas a cada um. Devido a essa construção de personalidade, Hercule Poirot, por exemplo, já foi citado em obras de outros autores, sem que perdesse a autenticidade elaborada por Agatha.

O legado que não será apagado

Seja pela construção dos personagens, pela sua inovação ao contar histórias ou por outros diversos traços narrativos, pode-se dizer que Agatha Christie revolucionou não apenas o romance policial de sua época, mas de toda a história da literatura. 

Suas obras continuam sendo traduzidas, adaptadas para as telinhas, e descobertas por novos leitores, fazendo com que o legado da Rainha do Crime permaneça vivo por milhares de gerações. 

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The article above was edited by Malu Alcântara.

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Maju Oliveira

Casper Libero '29

brazilian journalism student passionate about music, fashion and culture!