Em novembro de 2015, o One Direction lançava Made in the A.M., seu quinto e último álbum antes do tão falado “hiatus”. Era o fim de um ciclo. Não apenas para a banda, mas para uma geração inteira que cresceu acompanhando aqueles cinco garotos britânicos transformarem o pop mundial. Dez anos depois, o disco continua a soar como um registro de transição: o adeus de um fenômeno que marcou uma década da música e o início das trajetórias individuais de seus integrantes.
De um reality show ao topo do mundo
O One Direction nasceu quase por acaso, em 2010, durante o The X Factor UK. Harry Styles, Niall Horan, Liam Payne, Louis Tomlinson e Zayn Malik competiram individualmente até que Simon Cowell sugeriu juntá-los. O resultado foi imediato: química, carisma e um potencial comercial inegável.
Mesmo sem vencer o programa, o grupo assinou contrato com a gravadora Syco Records e, em 2011, lançou seu primeiro single, “What Makes You Beautiful”.
A música explodiu instantaneamente, transformando o One Direction em um fenômeno global. Vieram turnês mundiais, documentários, milhares de produtos e uma sequência impressionante de álbuns: Up All Night (2011), Take Me Home (2012), Midnight Memories (2013) e Four (2014).
Cada lançamento mostrava uma evolução sutil: das baladas adolescentes aos refrões mais rock e introspectivos. Mas o ritmo intenso de trabalho começava a cobrar seu preço. A banda estava no auge, mas os sinais de desgaste já apareciam.
Um recomeço sem Zayn
Em março de 2015, chegou a notícia que nenhum fã queria ouvir: Zayn Malik deixaria o grupo no meio da turnê “On The Road Again”. O choque foi global. Considerado por muitos a “voz mais poderosa” da banda, sua saída parecia, para alguns, um início de fim.
Mesmo assim, os quatro integrantes restantes decidiram seguir e finalizar o que se tornaria seu último projeto conjunto. Made in the A.M. nasceu em meio a esse turbilhão emocional. Gravado sem pressa e com mais liberdade criativa, o álbum apresentou uma maturidade musical que surpreendeu até os críticos mais céticos.
Um álbum de despedida, e de afirmação
Lançado em 13 de novembro de 2015, Made in the A.M. soava diferente. O pop energético dos primeiros trabalhos deu espaço para um som mais encorpado, com influências de rock britânico, folk e soft pop. Comparações com Fleetwood Mac, The Beatles e Coldplay foram inevitáveis.
“Drag Me Down”, o primeiro single pós Zayn, mostrou que a essência da banda ainda estava viva: letras sobre união, superação e lealdade. “Perfect”, coescrita por Harry e Louis, brincava com a imagem pública da banda: um hino pop cheio de autoconfiança e ironia sobre o mundo romântico. Mas foram faixas como “If I Could Fly” e “Walking in the Wind” que o amadurecimento ficou evidente: melodias melancólicas, letras confessionais e um tom de despedida impossível de ignorar.
“History”, último single antes do hiato, foi a despedida oficial. O clipe, repleto de imagens antigas e momentos emblemáticos da trajetória do grupo, funcionou como uma carta de amor aos fãs. Quando eles cantam “This is not the end”, é impossível não deixar de acreditar porque, de certa forma, nunca acabou.
O hiato e o que veio depois
Em janeiro de 2016, o One Direction anunciou oficialmente a pausa. O “hiatus” seria temporário, mas, com o passar dos anos, ficou claro que cada um seguiria seu próprio caminho.
Harry Styles explorou um som mais alternativo e se consolidou como um dos maiores nomes do pop contemporâneo. Niall Horan apostou em um estilo folk-pop que revelou seu talento autoral. Louis Tomlinson mergulhou em composições pessoais e nostálgicas, enquanto Liam Payne investiu em colaborações com nomes do R&B e da música eletrônica. E Zayn, o primeiro a sair, mostrou desde Mind of Mine que sua identidade artística era bem distinta do grupo que o revelou.
O hiato, por mais doloroso que tenha sido, permitiu que cada um encontrasse sua própria voz. Ainda assim, o impacto coletivo do One Direction permanece incomparável.
O legado de uma geração
Dez anos depois, Made in the A.M. continua sendo lembrado como o “adeus perfeito”. As faixas ainda acumulam bilhões de streams, novos fãs continuam a descobrir a banda e, todo 23 de julho, o aniversário do grupo vira um mini feriado na internet.
Mais do que uma boyband, o One Direction se tornou símbolo de uma era em que fandoms online redefiniram o poder dos fãs na indústria musical. Eles abriram espaço para o surgimento de novos grupos, moldaram o consumo digital de música e provaram que o pop pode ser, sim, genuíno e atemporal.
Mesmo sem novos lançamentos, a influência dos cinco permanece em cada álbum solo, em cada referência nostálgica e em cada fã que ainda espera uma notificação dizendo: “Estamos de volta”.
Mas o destino quis outro tipo de reencontro. Em 2024, o mundo da música parou diante da notícia da morte de Liam Payne. O adeus precoce marcou profundamente os fãs e os antigos companheiros de banda. Pela primeira vez em anos, Harry, Niall, Louis e Zayn se reencontraram. Não em um palco, mas em um momento de luto. No velório de Liam, não haviam holofotes, apenas lágrimas, abraços e a certeza de que, de algum modo, aquela ligação nunca se desfez.
No silêncio daquele dia, todas as músicas e memórias ecoavam como uma lembrança distante, mas viva. Porque, no fundo, Made in the A.M. nunca foi um fim. Foi apenas uma vírgula na história de uma banda que mudou o pop para sempre.
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O artigo acima foi editado por Beatriz Martins. Gosta desse tipo de conteúdo? Confira a página inicial da Her Campus Cásper Líbero para mais!