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Fazendas de bot: o que são as maiores fraudes de métricas nas redes sociais

Ana Laura Ripamonte Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

As fazendas de bots são redes físicas ou virtuais, estruturadas para gerar engajamento artificial com curtidas, visualizações, seguidores, comentários, compartilhamentos, downloads e cliques em grande escala, dentro das plataformas digitais, como o Instagram e o TikTok.

Essas estruturas podem ser físicas, em galpões ou salas equipadas com milhares de celulares que operam vários perfis nas redes; ou virtuais, operadas por infraestruturas na nuvem ou redes de computadores infectados (zombies) operados por scripts de automação ou modelos avançados de inteligência artificial para imitar comportamentos humanos de navegação. Como o tráfego é originado em celulares reais, ele burla os filtros de fraude e é contabilizado como interação genuína.

As fraudes mais comuns

Inflação de métricas: a prática mais comum é a compra de seguidores inexistentes por poucos reais, o que engana o algoritmo de recomendação e gera uma ilusão de relevância para criadores e marcas. Há também a compra sistemática de curtidas e comentários;

Fraude de publicidade digital: as marcas pagam por anúncios digitais, enquanto bots simulam a navegação humana nas redes, clicando e consumando conteúdos e propagandas para gerar um alcance inexistente;

Manipulação política: cria a falsa impressão de apoio ou rejeição espontânea a um determinado político ou pauta, amplificando a desinformação e aumentando a manipulação do debate público; 

Fraude em streaming musical: perfis automatizados escutam em loop contínuo faixas nas plataformas como Spotify e Apple Music, manipulando os royalties (pagamentos feitos aos detentores dos direitos autorais a cada reprodução) da indústria musical.

A ilusão de influência

Todos os anos, anunciantes investem milhões de dólares no engajamento gerado por esses bots. Estudos da CHEQ e Juniper Research estimam que a fraude em anúncios digitais por tráfego falso custe às empresas mundiais mais de US$80 bilhões. Além disso, o relatório anual Imperva Bad Bot Report aponta que quase 50% do tráfego total da internet global é gerado por bots, sendo que os chamados “bad bots” (voltados a fraudes e golpes) representam cerca de 30% do tráfego mundial.

O investimento em fazendas de bots não é acidental: é consequência direta do modelo de negócios fundado na Economia da Atenção. As próprias plataformas digitais funcionam sob uma lógica que recompensa a velocidade e a densidade de métricas: ao entregar engajamento artificial nos primeiros minutos de uma publicação, a fazenda de bots “engana” o algoritmo para que este passe a distribuir o conteúdo organicamente para usuários reais.

Comprar pacotes de seguidores e engajamento criou o fenômeno dos “influenciadores de fachada”. Perfis com milhares de seguidores, curtidas e comentários automáticos construídos sobre redes de bots para que a taxa de engajamento pareça proporcional à audiência, capazes de enganar marcas e agências.

O Caso Devumi

Um dos casos mais emblemáticos de fazendas de bots é o Caso Devumi (ou The Follower Factory), que aconteceu em 2018 e foi revelado a partir da investigação jornalística do The New York Times.

A empresa americana Devumi, com sede na Flórida, vendia – por centavos de dólar cada – mais de 200 milhões de seguidores falsos no Twitter, Youtube, Linkedin e SoundCloud para mais de 200 mil celebridades, atores, políticos e atletas que buscavam aumentar sua popularidade e relevância digital. A empresa contava com pelo menos 3,5 milhões de contas automatizadas, das quais cerca de 55 mil delas utilizavam identidades roubadas de pessoas reais, incluindo nomes, fotos, profissão e localização.

O caso gerou um grande escândalo midiático e provocou forte reação de órgãos reguladores dos Estados Unidos. A empresa fechou as portas no mesmo ano após pressão das investigações e declínio nas vendas, além de receber uma penalidade financeira de US$2,5 milhões. A Procuradoria-Geral de Nova York estabeleceu que a venda de seguidores e curtidas falsas utilizando identidades roubadas constitui fraude e publicidade enganosa ilegal.

Mas e aí, como combater a fraude?

Esse sistema sofreu uma transição geracional a partir dos avanços tecnológicos. Inicialmente, operavam bots simples que apenas curtiam ou seguiam perfis sem foto e sem postagens, fáceis de identificar e banir por filtros algorítmicos. Atualmente, são criados perfis que geram biografias plausíveis, fotos hiper-realistas geradas por IA, capazes de comentar em matérias de forma contextualizada e humana, tornando-os muito mais difíceis de detectar. Com isso, a transparência deixa de ser uma escolha ética das marcas e criadores de conteúdo e passa a ser a única estratégia viável de manter relevância na economia digital.

Por conta disso, o mercado criou ferramentas para identificação de fraude: pico abrupto no gráfico de crescimento do perfil, discrepância geográfica entre o criador e o público, padrão de comentários e proporção irregular entre seguidores e visualizações de stories. Além de, periodicamente, a Meta (Facebook e Instagram) publicar seus relatórios Community Standards Enforcement, confirmando a remoção de mais de 1 bilhão de contas falsas a cada trimestre globalmente.

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O artigo acima foi editado por Giovana Lazarin.

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