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Casper Libero | Culture

Entre a fé e as crianças: os diferentes significados do dia 12 de outubro

Júlia Sofia Barreira Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

No calendário brasileiro, o dia 12 de outubro reúne celebrações que, à primeira vista, parecem pertencer a universos diferentes. De um lado, a data é marcada pela devoção à Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. De outro, as crianças aguardam o dia dedicado a elas, tradicionalmente associado a brincadeiras, presentes e passeios. Entre a fé e a infância, a mesma data ganhou diferentes significados ao longo do tempo.

Uma história de fé

Para os católicos, o dia 12 de outubro é uma das principais datas do calendário religioso brasileiro. A celebração de Nossa Senhora Aparecida está ligada à história da imagem encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul em 1717.

Segundo a tradição, os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia encontraram primeiro o corpo da imagem e, posteriormente, a cabeça. Após o encontro da santa, os pescadores teriam conseguido uma pesca abundante, episódio que passou a ser associado como uma bênção e um sinal da proteção de Nossa Senhora Aparecida.

A devoção se espalhou pelo país e Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar um lugar central na religiosidade brasileira. A data também é marcada por peregrinações e manifestações de fé. 

No Santuário Nacional de Aparecida, milhares de fiéis participam de celebrações e homenagens ao longo do período. Para muitos devotos, o feriado representa uma oportunidade de agradecer, pedir proteção e renovar a fé.

Quando a infância também ganhou seu dia

Para muitas famílias, o dia também é marcado por outra tradição: celebrar a infância. Embora a comemoração tenha ganhado forte associação com presentes e consumo, o Dia das Crianças possui uma história que antecede sua popularização comercial. No Brasil, a data foi instituída oficialmente em 1924 pelo Decreto nº 4867, que determinou o dia 12 de outubro como a “festa da criança”.

A comemoração, entretanto, não se tornou imediatamente popular. Foi principalmente a partir das décadas de 1950 e 1960 que o Dia das Crianças ganhou força como uma data comercial, impulsionado por campanhas publicitárias e pelo comércio de brinquedos.

O artigo feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria também destaca essa transformação histórica e chama a atenção para a importância de lembrar os direitos e as condições de vida das crianças. 

Com o passar das décadas, o 12 de outubro passou a ser associado a momentos de brincadeiras e presentes. Para muitas famílias, a data representa uma oportunidade de reunir pais, filhos, avós e outros familiares em torno de atividades de lazer.

A relação entre a infância e a data comemorativa também mudou ao longo das gerações. Para quem cresceu décadas atrás, o feriado do dia 12 poderia significar uma brincadeira em família, uma visita aos familiares ou um brinquedo escolhido com antecedência.

Hoje, além dessas tradições, as crianças são impactadas por campanhas publicitárias, redes sociais e tendências que ajudam a definir quais produtos despertam interesse. Com isso, a forma de comemorar a data também passou por mudanças, acompanhando os hábitos e as transformações da sociedade.

No ambiente familiar, o presente continua fazendo parte da celebração, seja como uma tradição mantida ao longo das gerações ou como uma forma de demonstrar carinho.

Ao mesmo tempo, a comemoração pode acontecer de outras maneiras, como em passeios, brincadeiras, reuniões familiares ou atividades que proporcionem momentos de convivência.

Uma data, diferentes significados

As duas celebrações que acontecem no dia 12 de outubro, embora tenham origens distintas, tornaram-se parte da mesma data no calendário brasileiro. Enquanto a devoção a Nossa Senhora Aparecida reúne milhares de fiéis em missas, orações e peregrinações, o Dia das Crianças movimenta famílias em torno de brincadeiras, passeios e momentos de convivência.

Para algumas famílias, o feriado pode reunir essas duas tradições. A manhã pode ser dedicada a uma celebração religiosa e o restante do dia pode ser reservado para um almoço em família ou para uma atividade com as crianças. Para outras, a data pode ter um significado exclusivamente religioso ou estar relacionada principalmente às lembranças e experiências da infância.

Essa diversidade também mostra como as tradições podem mudar de uma geração para a outra. O que para os pais pode ser uma lembrança de infância ou uma prática religiosa transmitida pela família pode ganhar novos sentidos para os filhos.

Mesmo com essas transformações, o dia 12 de outubro permanece como uma data capaz de reunir fé, família, infância e memória.

No fim, não existe uma única maneira de viver o feriado. Entre a devoção à Padroeira do Brasil e as celebrações da infância, cada família constrói sua própria relação com a data, mantendo tradições antigas ou criando novas formas de comemorar esse feriado que tanto significa para o país.

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O artigo acima foi editado por Ana Flávia Rossi.

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Júlia Sofia Barreira

Casper Libero '28

Meu nome é Júlia, sou estudante de jornalismo e completamente apaixonada por escrever. Desde que me entendo por pessoa, escrever sempre foi algo natural.
Cresci em uma família de jornalistas, então esse universo sempre fez parte da minha vida. Foi aí que descobri que contar histórias, observar o mundo e transformá-lo em palavras era o que eu realmente queria fazer.
Escrevo sobre tudo, de tudo um pouco, porque acredito que cada detalhe pode virar uma boa pauta.