Os jovens do século XXI estão passando por muitos eventos históricos: uma pandemia global, diversas ameaças de terceira guerra mundial, crises financeiras, uma inteligência artificial ameaçando roubar seus lugares no mercado de trabalho.
E tudo se reflete na esfera política: há uma bagunça generalizada, desde casos inacreditáveis de preconceitos e extremismos, até propostas superficiais. Num mundo como este, é comum que o jovem se afaste da política com completo desinteresse, mas também, como é da essência da juventude, é ainda mais comum que ele lute por mudança.
A importância do eleitorado jovem
Embora o mundo atual esteja mergulhado na política polarizada, o jovem, como em tudo, é algo curioso e complexo de se entender. Mesmo com grande mobilização nas redes sociais de adolescentes fazendo campanhas para determinados políticos, idolatrando-os e brigando entre si para defender seus favoritos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a parcela de adolescentes entre 16 e 18 anos que tiraram o título de eleitor é de 20%. É uma adesão consideravelmente baixa, tendo em vista que os jovens entre 16 e 24 anos somam um total de 19,2 milhões de eleitores, um percentual de 12% do eleitorado.
São eles que mais vemos fazendo campanhas nas mídias. Discutem com os colegas sobre propostas de governo, candidatos favoritos e ideologias. Porém, é extremamente importante que a discussão não acabe na fala, mas sim que chegue nas urnas. Que esse eleitorado, de 16 a 24 anos vote, de maneira consciente, que conheçam os candidatos, e acima de tudo, que escolham por si, não por influência de terceiros.
O desinteresse e a falta de esperança
É notório o desinteresse na política de grande parte da população jovem, muitos deles até criticam movimentos sociais, e defendem o “não-posicionamento”. Porém, não são só os que se auto-declaram de direita ou de esquerda que estão se posicionando: a decisão de não se envolver politicamente é um ato político.
Isso ocorre porque a política é o que organiza nossas vidas em sociedade, e distribui o poder, de modo que a negligência atua diretamente na manutenção do atual cenário. Ao optar pela “antipolítica”, o indivíduo deixa de contestar a realidade e abdica da voz decisória, o que, na prática, beneficia as forças hegemônicas que já dominam o cenário político e social. Assim, a neutralidade ou o desinteresse não geram um vácuo de influência, pelo contrário, funcionam como uma concordância passiva às regras e desigualdades vigentes, tornando a apatia uma escolha de profundo impacto e clara natureza política.
A importância da educação e da consciência política
A famosa frase “Aquele que não consegue lembrar o passado está condenado a repeti-lo”, de George Santayana, não é em vão. É necessário que o estudante do ensino básico se forme tendo passado por todos os principais momentos da história, desde a formação, os piores e mais sanguinários eventos, até os dias atuais. É assim que não se repetem erros já cometidos.
Hoje presenciamos uma série de eventos que se encontram com ocorridos do passado. O extermínio do povo palestino se assemelha muito com o holocausto que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, e é a partir do conhecimento histórico que é possível identificar as semelhanças, e assim, lutar contra.
A volta do extremismo representa um evidente retrocesso, tendo em vista que fere os direitos fundamentais e resgata práticas que a sociedade lutou muito para erradicar, mas que infelizmente, estão novamente presentes na realidade contemporânea. A partir dessa reflexão, conseguimos enxergar o quanto a educação, principalmente a História, é importante para a construção do cidadão. Essa onda de desinteresse político juntamente com o extremismo, ambos movimentos presentes nas gerações mais novas, estão ligados à insatisfação frente à política atual e seus mandantes, e é a partir da promoção de estudos sociológicos/políticos nas escolas, que as instituições de ensino conseguem alcançar o pensamento crítico do jovem.
A juventude contemporânea não sofre de um desinteresse inerente à política, mas sim de um profundo esgotamento em relação ao modelo institucional vigente. A aparente apatia — refletida no baixo índice de emissão do título de eleitor e na ascensão do discurso de neutralidade — não representa a ausência de posicionamento, mas um sintoma da desilusão frente às crises e extremismos do cenário atual.
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O artigo acima foi editado por Ana Azeredo .
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