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Festival de Veneza: veja como foi a participação do Brasil e o reflexo no cinema nacional

Júlia Batista Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza contou com a presença brasileira,tanto dentro quanto fora das salas de exibição. Entre produções selecionadas para diferentes mostras e nomes conhecidos que cruzaram o tapete vermelho, o Brasil apareceu em diferentes momentos de um dos eventos mais importantes do calendário mundial do cinema.

O Brasil entre os destaques de Veneza

O Festival de Veneza é organizado pela La Biennale di Venezia e dirigido por Alberto Barbera. O festival aconteceu no Lido de Veneza entre os dias 2 e 12 de setembro de 2026 e é oficialmente reconhecido pela FIAPF (Federação Internacional das Associações de Produtores Cinematográficos).

O objetivo do festival é ampliar o conhecimento e promover o cinema internacional em todas as suas formas — como arte, entretenimento e indústria — em um espírito de liberdade e diálogo.

Na programação do festival, filmes brasileiros e coproduções com participação do país chegaram a Veneza, ocupando espaços distintos do festival, da competição principal às mostras paralelas.

A presença nacional também se estendeu aos elencos e às equipes por trás das produções, reunindo atores, diretores e outros profissionais brasileiros na cidade italiana.

Fora das telas, o Brasil também chamou atenção durante os dias de festival. Atrizes e personalidades brasileiras participaram de premières e eventos que acompanham Veneza, ampliando uma presença que não ficou restrita aos títulos selecionados.

Entre cinema, reconhecimento e red carpet, a edição de 2026 reuniu diferentes faces da participação brasileira no festival.

O cinema brasileiro encontra seu espaço em Veneza

O cinema brasileiro chegou a Veneza em diferentes frentes nesta edição. O principal destaque foi Retorno a Buenos Aires, coprodução entre Brasil e Itália que integrou a competição oficial e disputou o Leão de Ouro, principal prêmio do festival.

Dirigido por Marco Bechis, o longa é estrelado pelo italiano Adriano Giannini e conta com os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy no elenco.

A produção acompanha um sobrevivente da ditadura militar argentina, que é convocado para testemunhar no julgamento de militares que o sequestraram e torturaram no regime. A história reflete a vivência do próprio diretor Marco Bechis, que foi preso político na Argentina.

Fora da competição principal, London, dirigido pelos brasileiros Victor Di Marco e Márcio Picoli, foi selecionado para a Semana Internacional da Crítica, mostra dedicada a novos realizadores.

O longa acompanha um jovem com deficiência que trabalha com performances eróticas em uma casa de fetiches e propõe uma representação pouco convencional sobre deficiência, desejo e autonomia.

A produção ainda deixou Veneza com um reconhecimento, pois dividiu o prêmio Leão Queer com o documentário britânico Queer Edward II.

Furies, dirigido pelo libanês Rami Kodeih e produzido, entre outros, pela brasileira RT Features, é uma coprodução entre Líbano e Brasil, e também conta com brasileiros na equipe, como o músico Arthur Joly e o produtor Rodrigo Teixeira.

Selecionado para a mostra Venice Spotlight, o filme se passa durante a crise econômica do Líbano e acompanha duas irmãs que planejam roubar de volta o dinheiro que ficou preso em um banco.

Assim, mesmo ocupando espaços diferentes dentro da programação, a participação brasileira atravessou o festival: da disputa pelo principal prêmio de Veneza à descoberta de novos cineastas e às produções internacionais com participação do país.

London e o reconhecimento brasileiro no festival

Se a participação brasileira já havia ganhado espaço na programação, London foi além e deixou sua marca na premiação. O longa recebeu o Queer Lion, reconhecimento concedido durante o Festival de Veneza a produções que apresentam temáticas LGBTQIA+.

Para os diretores Victor Di Marco e Márcio Picoli, o reconhecimento também representa a chegada de uma produção brasileira independente a um dos principais festivais do mundo. A conquista chama atenção não apenas pela premiação, mas pelo espaço dado a uma narrativa que cruza deficiência, sexualidade e identidade.

Com o Queer Lion, London se tornou um dos principais símbolos da presença brasileira em Veneza neste ano, e mostrou que a participação do país no festival não ficou restrita às telas: também chegou ao palco das premiações.

Brasileiros também diante das câmeras

Além dos diretores e das produções selecionadas, atores brasileiros marcaram presença no festival ao lado dos filmes que integraram a programação desta edição.

Entre eles está Paula Cohen, integrante do elenco de Retorno a Buenos Aires. A atriz esteve em Veneza para acompanhar a estreia do longa na competição oficial, levando o nome do Brasil para um dos momentos mais importantes da programação.

Outro brasileiro presente no elenco é Eduardo Hoy, que também participou da passagem do filme pelo festival. A estreia reuniu elenco e equipe para apresentar a coprodução ítalo-brasileira ao público internacional.

Débora Nascimento chegou a Veneza com uma produção internacional. A atriz integra o elenco de Hombre al Agua, filme dirigido por Pablo Trapero, ao lado de nomes como Ricky Martin.

Com diferentes trajetórias e trabalhos, os atores brasileiros ajudaram a ampliar a presença do país em Veneza — levando o audiovisual nacional para além das produções oficialmente selecionadas.

Do cinema para o red carpet

A presença brasileira em Veneza também ocupou o tapete vermelho do festival. Nomes conhecidos da moda e do entretenimento brasileiro, que chamaram atenção pelos looks e pela participação nos eventos da programação.

Entre elas, Marina Ruy Barbosa esteve na première de Wild Horse Nine, no dia três de setembro. Para a ocasião, a atriz escolheu um vestido preto longo e transparente, com a lingerie à mostra. 

O visual repercutiu nas redes sociais e a passagem de Marina ainda foi marcada por um encontro com Kendall Jenner, com quem conversou e posou para fotos.

A atriz Thaila Ayala também participou da programação do festival e esteve presente na exibição de Woman Unknown, filme que acabou levando o Leão de Ouro desta edição.

Alessandra Ambrosio levou a moda brasileira para o red carpet. A modelo apostou em um look da Intimissimi inspirado na tendência de lingerie à mostra, combinando um vestido de cashmere com um bustier de seda.

A presença dessas brasileiras mostra como Veneza vai muito além das salas de cinema. E, entre os flashes e as estreias, o Brasil encontrou espaço nesse lado mais fashion do festival, seja por meio de atrizes, modelos ou personalidades que ajudaram a levar um pouco da cultura brasileira para o Lido.

O Brasil cada vez mais presente no cinema internacional 

A presença brasileira em Veneza mostra a força que o país vem conquistando no cenário internacional. Entre filmes, premiações, bastidores e tapetes vermelhos, diferentes profissionais levaram o audiovisual brasileiro para uma das principais vitrines do cinema mundial.

A passagem do Brasil pelo festival reforça a diversidade de vozes e histórias brasileiras que conseguem ultrapassar fronteiras. De novos cineastas a nomes já conhecidos, o Brasil mostrou que tem cada vez mais espaço para ocupar no cinema internacional.

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The article above was edited and translated by Carol Malheiro.

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Júlia Batista

Casper Libero '29

Estudante de jornalismo na Cásper Líbero. Acredito no jornalismo como ferramenta de transformação, conexão e impacto social.