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Casper Libero | Culture

100 anos de Marilyn Monroe: de estrela de Hollywood a ícone de cultura global

Helena de Souza Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O ano de 2026 é muito importante para a cultura global, já que marca os 100 anos do nascimento da maior estrela que Hollywood já contemplou: Marilyn Monroe. Mesmo após 60 anos de sua morte, a atriz continua sendo uma das mulheres mais conhecidas do mundo, e sua imagem e estética se mantém viva em campanhas de moda, em fantasias, referências, na música e, principalmente, no cinema, no qual deixou seu maior legado.

Antes de Marilyn, Norma Jeane

Em frente às câmeras ela era Marilyn Monroe, uma atriz e modelo renomada, de talento incomparável, estrela de diversos clássicos. Por trás, ela era apenas Norma Jeane Mortenson, uma mulher sensível e profunda, que lutou a vida toda contra a depressão, enquanto estava nos holofotes.

Nascida em Los Angeles, na Califórnia, Norma Jeane teve uma infância conturbada e instável. Sua mãe, Gladys Pearl Baker, sofria de esquizofrenia paranoide, o que a levou a ter uma relação difícil com a filha, marcada por abandono e negligência. Dessa forma, Gladys entregou a menina com apenas duas semanas para a adoção, e durante os sete anos que Norma esteve lá, ela a visitou frequentemente. Porém, pouco tempo depois que recuperou sua guarda, Baker foi internada em uma instituição psiquiátrica em Norwalk, e Marilyn foi levada para viver com uma amiga de sua mãe.

A estrela nunca chegou a conhecer seu pai, que era desconhecido na época, mas que sua mãe alegava ser Charles Stanley Gifford, um colega com quem havia trabalhado. No entanto, anos depois, em 2022 foi revelado no documentário “Marilyn, Her Final Secret” a comprovação de que Charles era realmente seu pai biológico. 

A fabricação de uma estrela

O nome “Marilyn Monroe” veio logo com o início de sua carreira de atriz, ao assinar seu primeiro contrato para o cinema, homenageando a artista da Broadway, Marilyn Miller, junto do sobrenome de solteira de sua mãe “Gladys Pearl Monroe”. 

Desde então Marylin Monroe foi uma das primeiras artistas globais produzidas como uma marca. A ideia da indústria era que ela fosse a mulher mais desejada do mundo, mesmo que para isso tivessem de construir quase que um personagem, que ela teria que sustentar a vida toda. Seu icônico cabelo loiro platinado e a estética visual de suas roupas e maquiagens foram meticulosamente pensados por Hollywood para a tornar um símbolo sexual da cultura pop, e a atriz aderiu completamente o estilo de vida, trabalhando até mesmo na intensidade se sua voz e sua expressividade para parecer mais delicada e ingênua.

Sua imagem feminina rendeu diversas cenas clássicas no cinema, dentre elas uma das mais famosas da história do cinema e da fotografia: a cena do vestido esvoaçante, do filme O Pecado Mora ao Lado de 1954. No romance, Richard Sherman, interpretado por Tom Ewell, se apaixona por sua vizinha, que no filme não recebe nome, mas que era interpretada por um dos maiores nomes da indústria, Marilyn Monroe. Em certa parte do roteiro, o casal passeia pelas ruas noturnas de Nova York, e ao passarem por cima de uma grade de metrô, o vestido da moça voa, subindo acima de sua cintura.

A indústria criou então a forma que a atriz seria vista pelo público: sensualizada e inocente, estereótipos que dificultavam o reconhecimento real de suas amplas capacidades artísticas. O chamado “efeito Marilyn Monroe” é um conceito que evidência situações em que pessoas acabam sendo subestimadas intelectualmente por serem consideradas bonitas ou atraentes. Ou seja, acaba que quanto mais alguém é visto apenas por sua aparência, menos suas qualidades são levadas em consideração. O conceito leva o nome da atriz pois ela foi um exemplo concreto dessa prática, sendo associada como superficial ou pouco inteligente por ter sua carreira construída em torno de sua beleza e sensualidade. 

Entretanto, Marilyn detestava seguir essa limitação e atender ao estereótipo de “loira burra” criado tanto por Hollywood sobre sua pessoa. Por isso, em 1955, a atriz já consagrada se mudou para Nova York para estudar a arte dramática no prestigioso Actors Studio, onde aprendeu o “Método” de atuação com Lee Strasberg. No mesmo ano, a estrela, fundou junto de seu colega fotógrafo Milton Greene, sua própria produtora cinematográfica “Marilyn Monroe Productions”, com o objetivo de controlar sua própria carreira e se afastar da inocência sensualizada que os estúdios à forçavam a seguir nas produções. 

Ascensão da estrela mais famosa de Hollywood

Antes mesmo dos filmes, Marilyn já encantava as câmeras fotográficas. Com apenas 18 anos ela foi fotografada pela primeira vez por Davis Conover para a revista Yank, e desde então se destacou como modelo “pin-up”, estampando diversas revistas com poses sensuais.

Pouco tempo depois a modelo assinou seu primeiro contrato cinematográfico, com a 20th Century Fox, e assim, sua primeira aparição nos cinemas veio logo depois, em 1947, com o filme “Idade Perigosa” (Dangerous years). Nesse drama criminal americano, Marilyn faz uma pequena participação interpretando Evie, uma garçonete, o suficiente para garantir seu estrelato e futuro como atriz. 

Ao longo de sua carreira, Marilyn protagonizou diversos filmes marcantes do cinema global, entre eles destacam se:  

Como Agarrar um Milionário (How to Marry a Millionaire) – 1953

O longa, dirigido por Jean Negulesco, é uma comédia romântica que reúne três mulheres fantásticas do cinema da época: Betty Grable; Lauren Bacall e Marilyn Monroe. O cenário da trama é Nova York, e as protagonistas são modelos que resolvem dividir um apartamento de luxo enquanto procuram homens milionários para se casarem, com o objetivo de mudar de vida.

A participação de Marilyn Monroe como a personagem Pola Debevoise ajudou a reforçar o estereótipo de “mulher ingênua e sensual” que a atriz estava tentando emplacar como estilo de vida no início de sua carreira. O filme em si teve alta projeção, o que foi muito importante para consolidar sua carreira no cinema, que na época estava apenas começando. 

Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes) – 1953

Inspirado em um dos musicais mais famosos da Broadway, Gentlemen Prefer Blondes retrata uma viagem de duas amigas em um cruzeiro rumo a Paris, em que ocorrem diversas situações cômicas envolvendo romance, interesses financeiros e expectativas sobre casamentos.

Nesse filme musical Marilyn Monroe performou a memorável música “Diamonds Are a Girl’s Best Friend” enquanto usava seu icônico vestido rosa, uma das cenas mais famosas da história do cinema.

Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot) – 1959

Na trama, dois músicos, interpretados por Tony Curtis e Jack Lemmon, precisam fugir disfarçados de mulheres depois de presenciarem um massacre, e acabam entrando em uma banda feminina, o que os leva a conhecer Sugar Kane, interpretada por Marilyn.

O filme teve uma repercussão enorme e a atuação de Marilyn Monroe foi muito elogiada, levando a atriz a ganhar seu primeiro Globo de Ouro, na categoria de Melhor Atriz em Comédia ou Musical. 

Moda, estética e feminilidade

Cabelo platinado, batom vermelho e vestidos justos definiam Marilyn Monroe, e Marilyn Monroe definia a moda feminina. O estilo “glamouroso sensual” da atriz se tornou uma referência estética mundial reconhecível instantaneamente em qualquer lugar do mundo.

Mas sua aparência não era apenas um estilo pessoal, já que toda sua essência era meticulosamente pensada e decidida pelos estúdios de Hollywood para a fabricação de uma celebridade feminina inesquecível. O famoso vestido cravejado usado por Marilyn para cantar “Happy Birthday, Mr. President”, em 1962, para John Kennedy, por exemplo, foi uma criação hollywoodiana. A obra foi desenhada pelo estilista Jean Louis, vencedor do Oscar de Melhor Figurino em 1957 principal figurinista da Columbia Pictures, e continha mais de 2.500 cristais costurados à mão. Para ficar perfeitamente ajustado, o vestido teve sua costura finalizada já vestindo o corpo da atriz.

A estética de Marilyn marcou a criação de um visual de feminilidade moderna, que mesmo depois de 100 anos do nascimento da atriz, continua viva como se nunca tivesse saído de moda. Nos dias atuais, ela é referência quando o assunto é “moda retrô” ou estilo “old Hollywood glamour”, e é inspiração para grandes celebridades, como: Madonna, Lady Gaga e Kim Kardashian.

A estrela que se tornou eterna

Após 100 anos de seu nascimento, Marilyn Monroe, ainda está em todos os lugares, campanhas de moda, fantasias, música e no cinema. Ela se tornou um ícone cultural para o mundo todo, sendo referência como modelo, atriz, estética feminina e, principalmente, como uma mulher inovadora, o que a torna incessantemente atual e inesquecível.

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O artigo acima foi editado por Duda Kabzas.

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Helena de Souza

Casper Libero '29

Journalism student who loves to talk about culture and the pop world💫