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Meninas STEM: Conheça o projeto de educação científica que alcança meninas de escolas públicas no RJ

Elisa Nuñez Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Para muitas jovens, a distância entre o banco da escola pública e a bancada de um laboratório de ponta pode parecer impossível de ser percorrida, mas, em Petrópolis (RJ), uma ponte foi construída por meio do projeto Meninas STEM (uma sigla em inglês que significa Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A iniciativa do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) tem como principal objetivo promover o desenvolvimento de projetos de programação e letramento tecnológico para aproximar meninas estudantes de escolas públicas do mundo da ciência. 

Para enriquecer a matéria e compartilhar mais detalhes do que é o projeto, contamos com o depoimento da profª. Regina Almeida, engenheira civil, pesquisadora titular do LNCC e uma das principais responsáveis pela iniciativa.

O surgimento da ideia

Antes da idealização do Meninas STEM, o LNCC recebeu alunas participantes do projeto “Futuras Cientistas”, desenvolvido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) juntamente com a Cetene (Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste), evento em que Regina teve primeiro contato com iniciativas que buscavam alcançar garotas para a educação científica. 

Posteriormente, na 3ª Jornada Latino-Americana de Oficinas em STEM em celebração ao Ada Lovelace Day 2024, foram propostos jogos e atividades lúdicas direcionadas ao ensino fundamental para aproximar as crianças da ciência. No evento, meninas de Petrópolis foram convidadas para aprender princípios básicos de computação e matemática. 

“Um dos joguinhos ensinava algoritmo, era um jogo no papel e teve um feedback muito positivo das alunas e das famílias.”, explica Regina. Surgiu, então, a ideia do projeto voluntário Prog +, responsável pelo ensino de programação e pela promoção do pensamento computacional através dos jogos. Pouco tempo depois, o CNPq lançou um edital voltado a estimular a participação de meninas e mulheres nas áreas STEM. Instituições de Petrópolis e a UFBa se juntaram para criar o projeto Meninas STEM Petrópolis Tec Hub, voltado para o ensino da programação e pela promoção do pensamento computacional através dos jogos.

Funcionamento do projeto

As participantes são alunas das escolas que estavam presentes no evento Ada Lovelace e de outras escolas de Ensino Médio da cidade. O projeto oferece 35 bolsas de Iniciação Científica Júnior (ICJ), dedicadas a meninas de 8º e 9º ano do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, quatro bolsas para graduação e sete bolsas para educadoras de nível superior envolvidas, promovendo uma capacitação adequada para todos os grupos. 

O projeto contém atividades de letramento tecnológico, com duas horas de aula por semana no LNCC, envolvendo o ensino da programação com o auxílio da plataforma Scratch, desenvolvida para trabalhar com jovens e crianças de forma lúdica, servindo como uma forma mais agradável de ensinar e aprender. Foram desenvolvidos tutoriais especialmente destinados às meninas, atividades complementares como visitas a instituições e parques tecnológicos, e atividades voltadas à cidadania. Além disso, foram criados clubes de ciências abertos para incentivar a abordagem científica nas escolas participantes.

Afinal, qual é a relevância desse projeto?

Segundo a profª. Regina: “A sociedade ainda é muito misógina e cria estereótipos que reforçam às meninas a ideia de que elas são incapazes. A nossa educação exclui essas garotas ao não oferecer exemplos no dia a dia, elas têm menos professoras de matemática e ciências, por exemplo. Esse ensino pouco acessível, dado majoritariamente por homens, também assusta e afasta as alunas do prazer em fazer ciência.”

Meninas e mulheres enfrentam obstáculos constantes ao trilhar o caminho da pesquisa, e Regina acredita que o incentivo e o reconhecimento delas deve ser constante para que elas tenham autoestima e confiança para seguirem seus sonhos.

Por essa razão, o projeto é realizado, principalmente, para meninas mais novas, do Ensino Fundamental II ao Ensino Médio, técnico ou regular, que estão passando por uma época de escolhas e definições. Em períodos decisivos como este, é de extrema importância que as estudantes conheçam e experimentem instituições e centros de pesquisa que futuramente poderão abrir caminhos a elas. 

Quando perguntada sobre qual mensagem a professora daria para uma menina que acha que a ciência não é pra ela, a professora respondeu: “Que ela se informe e procure entender o porquê de ela gostar tanto dessa área. Se ela gostar e tiver afinidade, que vá em frente, sem medo”.

Os próximos passos

Durante o ano de 2025, relatos de meninas que passaram pelo projeto felizmente incentivaram outras estudantes a abraçarem a causa e se informarem sobre a ação, o que resultou em um aumento significativo das inscrições e, consequentemente, atingiu um número maior de pessoas, com abertura de turma extra. 

O projeto termina em 2027, com duração de três anos. Mas, se o CNPq renovar o edital, um novo projeto pode ser submetido para promover a continuidade das atividades. Até lá, muitas coisas ainda estão previstas e em curso. Em 2026 houve a mudança da carga horária de duas horas por semana para duas aulas de uma hora e meia, a renovação de algumas bolsas ICJ  para que as participantes se mantenham no projeto como tutoras júnior, auxiliando no reforço de conteúdos e trabalhando em clubes de ciências. 

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O artigo acima foi editado por Maryanna Arison.

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Elisa Nuñez

Casper Libero '29

Student of Casper Libero University | Noticing, asking, writing.