Grandes desafios aguardam presidentes, governadores e parlamentares que tomarão posse em 2027. Um dos maiores deles é o meio ambiente. A política ambiental vem sendo objeto de desmantelamento nos últimos anos e, diante desse cenário, é imprescindível a conscientização social para a eleição de um governo que se dedique com zelo à natureza do Brasil. Portanto, é importante comentar alguns dos destaques que norteiam o debate ambiental e que devem ser levados em consideração nas urnas.
A preocupação com nossas florestas
Um dos assuntos mais preocupantes e comentados mundialmente em relação ao Brasil é a questão do desmatamento, que possui consequências a longo prazo para as próximas gerações, como também no cenário econômico atual. Principalmente na região amazônica, uma das maiores conquistas para o Brasil foi a reativação do Plano de Prevenção de Controle e Desmatamento (PPCDAm), criado em 2004 e paralisado em 2019.
Esse órgão tem linhas de monitoramento e controle como a fiscalização promovida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgãos de regularização fundiária, um aspecto fundamental da Amazônia por evitar a degradação do meio ambiente na região e linhas de fomento a atividades produtivas sustentáveis como forma de alternativas de renda para a população local. Esse conjunto de ferramentas sustentadas pelo governo resultou na diminuição de 83% do índice de desmatamento entre 2004 e 2012.
Contudo, esses números aumentaram na última década devido à falta de recursos e a redução de servidores públicos que atuam nessa fiscalização, o que causa uma verticalização da curva do desmatamento no país. Junta-se, também, uma forte pressão internacional para que o país tenha cuidado com o bioma amazônico, afinal, este afeta não somente ao Brasil, mas a todos os territórios por onde se estende.
COP15 e a discussão acerca da fauna brasileira
Em 2026, o Brasil se tornou palco de um dos eventos mais importantes para o cenário ambiental mundial: a COP15, promovida pela ONU, ocorrida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Com a participação de dezenas de lideranças globais e o envolvimento de milhares de pessoas, a semana da conferência representou um avanço significativo para a discussão acerca da proteção dos animais migratórios.
Durante a reunião de abertura do evento, Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, dedicou um comovente discurso ao bioma pantaneiro, incentivando o fortalecimento do multilateralismo em tempos desafiadores em favor da biodiversidade. A conferência aconteceu em um momento delicado no cenário político e ambiental global, e surgiu como uma proposta de conectar nações, políticas, ciência e conhecimentos tradicionais em prol da continuidade das espécies migratórias.
“Se trabalharmos juntos, é possível conciliar conhecimento e conservação. É possível gerar riqueza sem destruir o patrimônio natural que nos sustenta, promovendo, assim, um novo ciclo de prosperidade. Que possamos, nesta COP15, estabelecer o fluxo da vida em favor da nossa vida e de todas as formas de vida existentes no planeta”, disse.
O agronegócio
Atualmente, a agropecuária responde por aproximadamente 27% das emissões de metano na atmosfera. Especialistas chamam atenção para a necessidade da prática de agricultura de baixo carbono (ABC), já conhecida por muitos brasileiros no meio. O grande problema é que os responsáveis pelo agro brasileiro não se atentam ao cuidado com o meio ambiente associados a sua produção, o que é observável a partir do dado de que o Plano ABC representa apenas 2% do Plano Safra.
Cabe ao próximo governo, portanto, a implementação de um cronograma e um compromisso consistente com o baixo carbono na agropecuária, equilibrando conflitos de interesses que envolvem a proteção ambiental e o crescimento econômico.
Mudanças Climáticas e desastres naturais
Ao contrário do que muitos pensam, a preocupação com o cenário climático mundial não deve ser adiada, pois é um fenômeno que está apresentando consequências imediatas. No Brasil, eventos como enchentes, secas, ondas de calor e queimadas têm se tornado cada vez mais recentes e extremos devido ao aquecimento global. No entanto, essas ocorrências não são espontâneas, são causadas por ações humanas que podem, e devem, ser evitadas e repudiadas pelo próximo governo.
O ecossistema deve ser entendido como um só corpo, ou seja, ações mencionadas anteriormente, como o desmatamento, a emissão de gases poluentes e o uso excessivo de recursos naturais intensificam o efeito estufa e alteram o clima. As consequências vão muito além de prejuízos unicamente econômicos, mas se desdobram na morte de civis, destruição de casas e cidades, onde surgem os chamados refugiados climáticos. Por não possuírem estrutura diante desses desastres e por serem expostas a falta de recursos, populações marginalizadas são intensamente afetadas e a desigualdade se acentua, mostrando que a questão climática também é uma questão social.
A Crise da Água
Os recursos hídricos são um tema crucial e que está no coração de grandes disputas eleitorais. O Brasil se encontra em uma posição privilegiada por possuir, por exemplo, 12% dos valorosos recursos de água doce, o que mostra um potencial singular que está sendo gradativamente destruído. Esse patrimônio está longe de ser garantido, afinal, a má distribuição da água, o desmatamento, a poluição de rios e o avanço desordenado das cidades, contribuem para o agravamento da chamada crise hídrica.
Eventos recentes mostram que essa crise não é abstrata. Períodos de seca severa têm se alternado com chuvas intensas, comprometendo o abastecimento de água e a segurança de muitas pessoas. Um exemplo foi a crise enfrentada pelo Sistema Cantareira, que evidenciou a vulnerabilidade de grandes cidades diante da má gestão e das mudanças climáticas. A partir disso, a água deixa de ser apenas um recurso natural e passa a ser também uma questão política, econômica e social.
Agenda 2045
A Estratégia Brasil 2045 tem sido construída no pela rede do Observatório do Clima e das 78 organizações socioambientalistas ligadas a ele, e possui uma perspectiva de longo prazo. O plano consiste na esperança de que o Brasil tenha potencial para se tornar um país com status de carbono negativo até 2045, ou seja, um país que sequestra mais carbono do que emite e protege mais o meio ambiente do que o degrada.
Essa agenda parte do princípio de que o problema está localizado e que o Brasil possui uma matriz energética e elétrica historicamente favorável se comparada com outros países em termos de energias renováveis, como eólica e solar. Por todas essas características, ambientalistas trabalham nas propostas para o próximo governo.
Dito isso, qual é o papel dos políticos?
Cabe aos governantes elaborar leis, fiscalizar práticas ilegais e promover iniciativas que conciliam desenvolvimento econômico e preservação. A proteção de biomas, o incentivo à agricultura sustentável, a transição energética, a preservação dos recursos hídricos e a gestão eficiente de recursos naturais dependem de decisões políticas. Portanto, eleger representantes comprometidos com essas pautas é fundamental para garantir avanços reais.
No agora, é importante enxergar para além das promessas, que não são poucas. A escolha nas urnas deve levar em consideração as propostas anteriores de cada candidato em relação à pauta ambiental, como nas propostas de políticas públicas e votos para que estas pudessem se concretizar, também posicionamentos públicos ao longo dos anos e projetos consistentes, metas claras e coerência entre os discursos e a prática.
Pensar no meio ambiente é pensar nas próximas gerações. As escolhas feitas hoje terão impactos futuros, seja na preservação de recursos naturais ou na intensificação de crises ambientais. Ao levar essa responsabilidade para as urnas, o eleitor amplia o alcance do seu voto e participa ativamente na construção de um mundo mais equilibrado.
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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.
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