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O que o cancelamento dos Grand Prix de Bahrein e da Arábia Saudita revela sobre os conflitos do Oriente Médio?

Maria Eduarda Garcia Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

“Essa decisão foi muito difícil de ser tomada, mas, infelizmente, é a decisão correta neste momento, principalmente quando consideramos a situação atual no Oriente Médio”, foram as palavras do presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, ao comunicar que as corridas que aconteceriam nos dias 10 a 12 de abril, em Bahrein, e 17 a 19 de abril, na Arábia Saudita, não ocorreriam.

Para além da guerra política e militar do Irã, Israel e Estados Unidos, os conflitos do Oriente Médio têm se alastrado e influenciado outros âmbitos sociais, dentre eles, o esporte. Desde o início da guerra, em fevereiro, o anúncio do cancelamento dos GPs da região era esperado, tendo em vista que a segurança dos pilotos e do público poderia ser comprometida. 

Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), explicou o motivo do cancelamento: “A FIA sempre colocará a segurança e o bem-estar de nossa comunidade e de nossos colegas em primeiro lugar. Após uma análise cuidadosa, tomamos essa decisão, estando plenamente conscientes dessa responsabilidade”. Além disso, promotores locais informaram que as corridas não serão substituídas no calendário do próximo mês, fazendo com que a temporada de 2026 tenha apenas 22 corridas. 

Segundo o jornal alemão Sport Bild, a Arábia Saudita teria revogado o cancelamento e assegurado que garantiria “um sistema especial de defesa antimísseis para o circuito da Corniche de Jeddah”, mas, mesmo assim, foi decidido que suspender a corrida seria o ideal. Isso porque, em Bahrein, houve bombardeios a menos de 25 km de distância da pista, enquanto a Arábia Saudita tem sido alvo recorrente de ataques de mísseis iranianos e sofre ameaças constantes de bloqueio da rota comercial do Estreito de Ormuz

Mesmo que não seja inédito o cancelamento de eventos esportivos na região, essa decisão chama a atenção da mídia e do público ao evidenciar o nível de gravidade da situação. 

principais consequências do cancelamento

Para a competição, além de cinco semanas de espera entre as corridas, o pódio não será afetado pela decisão. O campeonato ainda está aberto, ainda não há um favorito definido e as equipes ainda estão em fase de adaptação, considerando que houve mudanças para tornar as corridas mais sustentáveis, como a adesão de combustíveis naturais.

Neste primeiro momento, seria possível observar quais equipes estariam mais integradas às atualizações, ou seja, os GPs cancelados mostrariam ao público qual equipe conseguiria ser mais flexível diante das mudanças propostas e quais teriam desenvolvido estratégias mais eficazes, e elas ditariam o ritmo do ano.

A preocupação que pode ter surgido estaria mais ligada ao receio entre os patrocinadores ocidentais, que possuem cláusulas de rescisão em caso de guerra e podendo gerar riscos econômicos.

Para a região, que é constantemente impactada economicamente e considerando que é a maior produtora e exportadora de petróleo, os efeitos seriam mais abrangentes, tendo em vista que o mundo inteiro sofrerá com o acesso ao combustível e seus preços. Também pode-se destacar o impacto econômico sofrido pelo turismo da região nos dias de corrida, pois, se fizéssemos uma comparação com 2023, observaríamos que os países arrecadaram mais de 200 milhões de dólares e a criação de aproximadamente 20 mil empregos. 

O “Sportwashing”, termo que se popularizou, e refere-se às estratégias adotadas pelos países do Oriente Médio para tornar suas imagens de segurança e propícios para a integração entre as nações, enfrentou dificuldades para ser sustentada. 

Para os fãs e telespectadores, ocorre não só um sentimento de insegurança e frustração, mas também uma relação paradoxal entre a busca por compreender verdadeiramente os últimos acontecimentos, e, de tratar e interpretar o conflito  de maneira mais rasa, pejorativa e imparcial. 

No contexto da guerra, a atitude da FIA serviu como uma espécie de “termômetro” das tensões, evidenciando como os conflitos são capazes de desestruturar espaços associados ao entretenimento e a comunhão entre nações. Nesse sentido, mais do que uma decisão esportiva, o cancelamento aponta o abismo da crise atual, mostrando que os impactos são maiores, mais complexos e influentes do que está sendo divulgado, e capaz de atingir todos os setores da sociedade.

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Maria Eduarda Garcia

Casper Libero '29

Oie, tudo bem?
Meu nome é Maria Eduarda Garcia, atualmente eu faço jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.
Escolhi essa área pois eu acredito no poder da comunicação como agente da democratização, do conhecimento e o acesso à informação. Acho fascinante sobretudo a área da redação, ver como as palavras são capazes de traduzir nossa realidade e chegar em tantas pessoas.
Estou aqui nesse site para aprender ainda mais e poder falar das coisas que eu mais gosto e acho interessante : )
principalmente sobre geopolítica !!!