Em seu segundo mandato, Donald Trump reacendeu um debate histórico sobre o imperialismo norte-americano e sobre a presença dos EUA na América Latina.
EUA x Venezuela
Os Estados Unidos são um dos principais alvos das declarações anti-imperialistas feitas por Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. No final de julho deste ano, o governo dos EUA acusou Maduro de comandar uma organização criminosa e expôs que sua administração não possui legitimidade. A declaração foi feita por Marco Rubio, secretário de Estado na gestão de Donald Trump.
Com diversos indícios de fraude nas eleições mais recentes realizadas na Venezuela, a comunidade internacional, em ampla maioria, contesta a legitimidade do governo de Maduro. Desde janeiro deste ano, o governo dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de 150 milhões de reais por informações que possam levar à prisão do presidente venezuelano, acusado de narcoterrorismo.
Em outubro de 2025, Donald Trump confirmou publicamente que autorizou a CIA (Central Intelligence Agency) a realizar operações dentro da Venezuela. Segundo ele, os motivos seriam a entrada de prisioneiros pela fronteira e o tráfico de drogas, onde Trump já disse que pretende “deter por terra os traficantes“. As ações, inicialmente, miravam acampamentos em selvas de grupos ligados ao tráfico e pistas de pouso ilegais, sem envolver qualquer investida direta para retirada de Maduro do poder.
No dia 22 de outubro, os EUA realizaram o primeiro bombardeio a uma embarcação no oceano Pacífico desde o início da ofensiva. As ações na região do Caribe já resultaram em ao menos 32 mortos, embora o governo dos Estados Unidos não tenha informado a quantidade de drogas apreendidas e nem apresentado provas de que as embarcações transportavam entorpecentes. Na semana anterior, Trump havia justificado a operação alegando que a Venezuela estaria enviando drogas e criminosos para o território americano.
Entre alinhamentos e choques: os novos rumos da relação Brasil e EUA
No Brasil, a relação com os Estados Unidos sofreu um baque simbólico e econômico. Em julho de 2025, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, com as acusações de “práticas comerciais injustas” e ligando a medida ao processo do STF contra o ex-presidente, Jair Messias Bolsonaro.
O presidente Lula reagiu com firmeza à ofensiva e afirmou que o Brasil é um país soberano, com instituições independentes e que “não aceitará ser colônia de ninguém”. Para isso, ativou a chamada Lei da reciprocidade, que permite ao Brasil adotar medidas similares contra países que impõem barreiras comerciais unilaterais.
Porém, no dia 14 de novembro, integrantes do governo Lula (PT) comemoraram a decisão de Donald Trump de reduzir as tarifas dos Estados Unidos sobre as importações agrícolas, como carne bovina, bananas, café e tomates. De acordo com os membros do Planalto, a decisão deve beneficiar o Brasil.
A mudança da postura norte-americana representa um ganho diplomático importante. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, classificou a decisão como uma “vitória para o Brasil”, destacando que ela é resultado da atuação “firme e estratégica” do presidente Lula em defesa da soberania nacional. Na quinta-feira, 13 de novembro, após encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio, o chanceler Mauro Vieira afirmou que os dois países estão perto de firmar um acordo provisório que destrava a cooperação entre as duas nações.
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O artigo acima foi editado por Anna Muradi
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