Her Campus Logo Her Campus Logo
Casper Libero | Culture > Entertainment

Silêncio no cinema, onde foi parar o terror dos filmes?

Sofia Cingotta Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O cinema de terror já teve sua era de ouro com casas, rituais macabros, exorcismos e brinquedos demoníacos. Só que essa fórmula já começou a cansar. Hoje, o que mais assusta não é o espírito amaldiçoado, mas o trauma guardado dentro da mente. Filmes como Hereditário e Fale Comigo abriram uma nova fase, em que o terror vem de histórias íntimas e familiares. O medo deixou de ser externo e virou interno.

Não significa que o sobrenatural desapareceu. Franquias como Invocação do Mal ainda conseguem multidões para os cinemas, mas não são mais como antes. O problema não está no tema, mas sim na previsibilidade. O público já sabe o que esperar, fazendo com que o susto perca o efeito. Em compensação, quando o filme aborda dores pessoais, a sensação de desconforto é muito mais difícil de ignorar.

Psicológico e sobrenatural

Nos últimos anos, alguns cineastas têm tentado misturar os dois, usando símbolos macabros como fachada, mas colocando o drama psicológico como centro da trama. Faça Ela Voltar, por exemplo, fala de traumas familiares, mas envolve rituais ocultistas para criar uma tensão. Já A Hora do Mal investe nos famosos jumpscares, só que aborda várias perspectivas dos personagens para aprofundar o lado psicológico da narrativa.

A ideia é interessante, mas nem sempre funciona. Quando o drama aparece, o público sente falta do susto. Quando o foco é só no ritual ou no demônio, o resultado é o mesmo. O gênero está nesse impasse de como equilibrar o medo interno com o terror sobrenatural.

O futuro do terror

O que essa passagem nos traz é que o terror sempre acompanha as ansiedades de cada época. Nos anos 70, era o medo da guerra fria. Nos anos 2000, o medo das pandemias e da tecnologia. Hoje, é o medo das próprias emoções, das relações, das dores internas. O lado psicológico da trama fala diretamente com uma geração que se encontra tendo crises de ansiedade e em busca do pertencimento.

Já o sobrenatural, para continuar relevante, precisa se reinventar. Tentando achar novas formas de unir os dois gêneros, dando sustos bem planejados e não previstos, mas que tenham um peso emocional. O terror não se encontra só na tela, mas também nas nossas angústias e anseios nos confronta de um jeito que o sobrenatural sozinho não consegue.

__________

The article above was edited by Beatriz Gatz.

Liked this type of content? Check Her Campus Cásper Líbero home page for more!

Sofia Cingotta

Casper Libero '28

Journalism student at Cásper Líbero College, specializing in entertainment, culture, automotive, trends, and travel ✨