Se você já torceu o nariz para uma produção cristã achando que seria apenas um sermão com figurino de época, talvez esteja na hora de rever seus conceitos. The Chosen, a série independente sobre a vida de Jesus, tem conquistado uma legião de fãs no mundo inteiro — inclusive entre jovens que nem sempre se identificam com conteúdo religioso tradicional.
Mas o que faz essa série se destacar em meio a tantas outras representações bíblicas? Spoiler: é mais sobre humanidade do que dogma.
o diferencial
Lançada em 2019, The Chosen é dirigida por Dallas Jenkins e traz uma abordagem inovadora sobre a vida de Jesus, interpretado pelo ator Jonathan Roumie. Ao invés de focar exclusivamente nos milagres e grandes momentos já conhecidos das Escrituras, a série investe tempo nas histórias dos discípulos, suas dúvidas, traumas, rotinas e até suas piadas. Sim, tem humor. E isso, por si só, já é revolucionário em um conteúdo religioso.
O que torna The Chosen tão cativante é justamente seu cuidado em não parecer um sermão disfarçado. A fé está ali viva, presente, emocionante, mas ela é mostrada por meio de relações humanas e dilemas reais. Maria Madalena com traumas emocionais, Mateus com traços de autismo, Simão Pedro lidando com dívidas e estresse familiar, são algumas das histórias que criam uma ponte entre os tempos bíblicos e os desafios modernos.
Você não precisa ser cristão para se emocionar com os episódios. Aliás, muita gente que se considera agnóstica ou simplesmente “espiritual, mas não religiosa” tem elogiado a série por seu valor humano e artístico.
PRODUÇÃO INDEPENDENTE
Outro diferencial de The Chosen é a sua produção. Não estamos falando de algo feito com orçamento mínimo e cenários genéricos. Pelo contrário: a cinematografia, trilha sonora, figurinos e diálogos são de uma qualidade comparável às grandes produções da Netflix ou HBO. Além disso, o ritmo da narrativa é envolvente e muitas vezes até cinematográfico. A série aposta em silêncios, olhares e detalhes que transmitem emoções profundas sem precisar de frases de efeito religiosas.
Um ponto forte é que a série está disponível de forma gratuita por meio de seu próprio aplicativo com legendas e dublagens em várias línguas. O objetivo? Fazer com que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, possa assistir sem barreiras financeiras.
Além disso, a diversidade do elenco e a preocupação com representações culturais mais autênticas também são um avanço em relação a outras versões mais eurocêntricas de Jesus e seus seguidores.
The Chosen oferece uma experiência única: é uma aula de empatia, um lembrete sobre a importância da compaixão, da escuta e da vulnerabilidade. No fim das contas, é isso que faz a série equilibrar tão bem fé e entretenimento. Ela não tenta impor verdades — ela conta histórias. E histórias bem contadas, a gente sempre quer ver mais.
Gostou? Então já prepara o lencinho e dá uma chance ao primeiro episódio — quem sabe The Chosen também não te escolhe?!
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O artigo acima foi editado por Gabriela Belchior.
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