Os programas culinários fazem parte da cultura brasileira. Começando na década de 50, com foco nas donas de casa e na atmosfera doméstica, até os “influencers” de gastronomia nas mídias digitais, esse tipo de conteúdo passou por grandes transformações ao longo dos anos, refletindo as mudanças tecnológicas, sociais e culturais.
Inicialmente, essas famosas atrações passavam uma imagem mais didática e formal, sem muitos convidados ou brincadeiras por parte dos apresentadores. Atualmente, é comum que ocorra o oposto – os programas possuem uma dinâmica muito mais divertida, brincalhona e com mais interatividade, entrando num mundo mais do entretenimento.
O início dos programas culinários na TV
Nas décadas de 1950 e 1960, os programas de culinárias foram criados como uma forma de extensão do ambiente doméstico, com foco na audiência feminina, o que fez com que produtores quisessem passar uma imagem de cozinha caseira, com cenários que simulavam esse ambiente. Nesse período, a televisão era o principal canal de comunicação e tinha um forte papel educacional.
Um dos primeiros programas de TV foi o “The French Chef”, apresentado por Julia Child, em 1963, nos Estados Unidos. Ele tinha como proposta dar ao público a chance de aprender técnicas sofisticadas e de alta gastronomia de forma mais acessível e amigável. No Brasil, programas culinários seguiram este mesmo padrão. Uma das figuras mais icônicas do país foi Ofélia Anunciato, que comandou o “Cozinha Maravilhosa de Ofélia”, que foi ao ar entre 1968 e 1998, na Rede Bandeirantes. A apresentadora se tornou uma grande referência, ensinando receitas de forma clara, prática e didática.
Nos anos de 1980 e 1990, as mudanças que antes eram minimalistas começaram a ficar mais evidentes: os programas de culinárias agora tinham uma nova cara. Além disso, foi neste mesmo período que começaram a surgir os canais de televisão especializados em gastronomia, como o Food Network, que estreou nos EUA em 1993.
Outro importante nome que surgiu no cenário brasileiro foi o de Ana Maria Braga, que veio para revolucionar o mundo da gastronomia brasileira. Seu primeiro programa foi o “Note e Anote”, veiculado na TV Record, entre 1998 e 2005. Nessa mesma atração surgiu mais um nome de sucesso dos programas de culinária no Brasil: Palmira Onofre, ou como era mais conhecida, “Palmirinha“, que colaborou no “Note e Anote” por cinco anos e, mais tarde, ganhou um programa próprio na TV Gazeta que foi sucesso em todo o país.
Depois da TV Record, Ana Maria Braga continuou revolucionando o mundo da gastronomia brasileira. Ela fez isso pelo “Mais Você”, onde uniu a gastronomia com o mundo do entretenimento, em um programa matinal que ainda vai ao ar toda semana, entre segunda e sexta-feira.
as cozinhas invadem a internet
No começo dos anos 2000, com o início da internet, começaram a surgir também os blogs de cozinha e confeitaria. Um dos mais famosos é o Panelinha, plataforma criada pela Rita Lobo e que existe até hoje. Pouco depois disso, os programas de cozinha especializados se popularizaram ainda mais, em canais como GNT, Discovery & Health, TLC e o próprio Food Network, e Rita se tornou apresentadora do “Cozinha Prática”. Além dela, foi dessa forma que nomes como Bela Gil e Rodrigo Hilbert ficaram famosos no meio gastronômico, compartilhando e ensinando receitas ao público.
Um outro gênero também explodiu nas telinhas: os reality shows. Competições de culinária, como “MasterChef Brasil”, “Hell ‘s Kitchen” e “Top Chef” trouxeram um nível de tensão e emoção para os telespectadores, mesclando o talento culinário com a pressão e o drama, além de muitos desafios.
Atualmente, com o crescimento das redes sociais e das plataformas de streaming, os programas se tornaram ainda mais acessíveis e diversificados, juntando informação e entretenimento, o famoso infotenimento. Os chefes e apresentadores precisaram encontrar uma nova forma de estar perto de seus telespectadores, criando um espaço em plataformas como YouTube, TikTok e Instagram, onde conseguem compartilhar alguns teasers de seus programas e até mesmo algumas receitas. E não só profissionais da gastronomia compartilham conteúdo, mas também pessoas que gostam de cozinhar e compartilhar conteúdo postam vídeos de receitas e dicas (inclusive ideias de marmitas!) em seus perfis nas redes.
Toda a evolução vista e comentada dos programas de culinária reflete a própria mudança social, onde novos hábitos surgem e gostos mudam. De simples guias e manuais de receitas a grandes espetáculos de entretenimento e conexão cultural, a paixão pela gastronomia tem seu lugar intacto nos corações de muitos brasileiros.
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O texto acima foi editado por Olivia Nogueira.
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