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Saiba Mais Sobre Os Diferentes Estilos E Traços Do Universo Da Tatuagem

Está mais do que provado o quanto o ser humano precisa da arte para viver, se expressar, entender e registrar o mundo à sua volta. Com a tatuagem, não seria diferente, inclusive, é uma maneira de carregar a própria arte, em diferentes construções, no próprio corpo. 

Apesar dos tatuados estarem sujeitos à discriminação em determinados ambientes e ocasiões, é uma arte muito vasta e repleta de cores, formas, traços e estilos. Tem para todos os gostos, do mais extravagante ao mais contido. E é claro que essa arte, assim como todas as outras, reflete sentimentos e a singularidade que existe dentro do tatuador e de quem está sendo tatuado. E para além disso, contribui muitas vezes para a autoestima da pessoa que tem a pele modificada.

A seguir, veja um compilado de entrevistas com tatuadoras de diferentes vertentes do universo da tatuagem.

Old School

Conhecido popularmente no mundo todo por ser um estilo clássico e sinônimo de muita personalidade, o Old School continua encantando corações até hoje. Esse sentimento também acometeu Carol Lewis (27), tatuadora há quatro anos e especializada em Old School. Ela conta que foi introduzida nesse universo através de amigos e tatuadores – que acabaram se tornando amigos também – e se apaixonou pelo estilo desde então. “Eu fiquei encantada com os desenhos, cores, temáticas e os demais elementos que envolvem esse traço.Tudo o que está inserido nesse contexto histórico e cultural me agrada muito (música, cinema, arte, tatuagem). Então, acho que essa subcultura também me influenciou para ir para esse lado”, detalha Carol.

Popularizado a partir de 1920, o Old School ganhou muita força nas mãos do tatuador norte-americano Norman Collins, mais conhecido por Sailor Jerry. O artista teve seu primeiro contato com a tatuagem ainda na adolescência. Aos 19 anos, alistou-se na Marinha dos Estados Unidos, e influenciado por essa vivência, ao longo da carreira, tatuou muitos marinheiros, prisioneiros e combatentes de guerra, sendo, até hoje, reconhecido por seu trabalho e estilo. Para Carol, Jerry é considerado uma inspiração: “Ele é meu maior referencial, sem dúvidas. Seus desenhos ainda são tatuados no mundo inteiro. Deixou um legado muito grande”.

O tatuador foi pioneiro em muitos quesitos, sendo responsável por vários avanços na área, desde a criação de pigmentação própria até esterilização de equipamentos e descarte de agulhas. Dentre as várias opções de desenhos, os símbolos náuticos se destacam, assim como pássaros, flores, mulheres, jogos e bebidas. “Acho que a rosa é o mais clássico de todos. Ela pode ser tatuada de várias formas, mas está sempre presente. É o desenho que eu mais faço e mais gosto também”, explica Carol. Além disso, por sua pigmentação forte, cores marcantes e traços grossos, as tatuagens Old School apresentam certo grau de complexidade. Desta forma, “é difícil fazer um desenho simples e bonito ao mesmo tempo. Os traços precisam ser uniformes e a pintura, sólida”.

Fineline

Apesar de delicadas e mais sutis, as tatuagens Fineline ou minimalistas são muito modernas e carregam extrema originalidade consigo. A procura por esse tipo de traço – fino e preciso – tem aumentado muito, principalmente através das redes sociais, e pode ser uma excelente opção para quem deseja algo mais discreto e pontual.

Ester Lourraine (22), mais conhecida como Bad Girl Tattoo, é tatuadora há três anos e especialista em Fineline e Mini Realismo. No início de sua carreira, ainda não sabia qual área gostaria de seguir. A artista conta que pensou em trabalhar com Blackwork e Old School, mas queria traços mais delicados. Por isso, não conseguiu se adaptar a esses estilos. “Assim que conheci a arte minimalista, me apaixonei. Comecei a treinar em pele artificial e foi tiro certeiro! De longe a melhor escolha que já fiz na minha vida profissional, apesar de sentir que, na verdade, foi o Fineline que me escolheu”, explica Ester.

Assim como em outros traços, a arte minimalista exige prática e empenho. Para a tatuadora, esse exercício é uma dificuldade prazerosa: “Logo nas primeiras tatuagens, eu já via o meu traço afinando cada vez mais”. Além disso, ela ressalta a importância de treinar a precisão e a paciência para obter os resultados desejados com maior frequência, já que são traços que exigem tanto da profissional quanto do cliente.

Blackwork

Considerado um dos estilos mais antigos no ramo, o Blackwork consiste na tatuagem com tinta de pigmentação preta. É um traço bastante abrangente, podendo se caracterizar de diferentes formas.

A tatuadora Giulia Tani (25), que atua na área há dois anos e meio, conta um pouco sobre sua carreira, trajetória e percepções pessoais. “Desde que eu comecei a desenhar, já desenvolvi uma linha de trabalho que puxava para esse lado mais cheio de sombra, traço, hachura. Os meus artistas favoritos também atuavam dessa forma. Então, seria um pouco difícil eu sair disso, porque já faz parte do que eu, como artista, gosto de colocar para fora”, conta a tatuadora, mostrando que não há um momento específico para a decisão do próprio estilo, mas sim uma caminhada artística.

Afinal, segundo Tani, tudo depende da liberdade que você sente ao criar e que, esse sentimento, juntamente com a satisfação ao final de cada trabalho, vale muito a pena. “Eu comecei a perceber os sinais do meu corpo, o que me movia e impulsionava mais. Tudo isso foi primordial para mim”.

Em meio a tantos trabalhos, a artista confessa que seus desenhos preferidos têm sido florais e freehand (mão livre), mas também possui muita afinidade com elementos do misticismo e trabalhos grandes e desafiadores em que o cliente confia em sua habilidade e pede para ‘fechar o braço’. “Acho que minha parte favorita do Blackwork é a possibilidade de fazer um trabalho mesclado. Ao mesmo tempo que eu coloco ‘pancada’, acrescento leveza. Essa brincadeira com luz e sombra nem sempre precisa ser tão óbvia. Dá para aplicar uma sombra pesada aqui, só um pouquinho de preto ali, fazer o restante mais claro e com traços finos, e, ainda assim, estar dentro do Blackwork”.

Em relação às suas inspirações, Giulia menciona três nomes que, através de seus respectivos trabalhos, marcaram a sua vida e podem ser considerados verdadeiras referências no Blackwork. Kelly Violence (Violet) e Felipe Kross foram suas primeiras paixões ao adentrar no universo da tatuagem. No caso de Felipe, a profissional conta que nutre um carinho especial, já que ele a ajudou bastante no início da carreira, prestando auxílio e oferecendo dicas. Atualmente, sua maior referência é Bruxa (Bruna) Andrade. Para a artista, Bruna é “incrível, muito boa no que faz. Acho que, além de tatuar, ela passa um pouco de si mesma para a arte dela e isso é essencial”.

Em um mundo tão ditado por tendências, principalmente por parte das redes sociais, nem sempre a tatuagem consegue escapar desses movimentos. Entretanto, a tatuadora defende que a arte deve partir de uma identificação ou apreço e não de uma ‘modinha’. “Acredito que as redes ajudam a difundir nosso trabalho, mas não acho que deveriam ser ditadoras de tendência – apesar de que, em alguns momentos, acabam sendo. Isso faz com que perca a essência. Tatuagem é arte, acima de qualquer outra coisa. Você não deveria querer carregar em seu corpo um desenho só porque viu na internet”, enfatiza Giulia.

Realismo

Esse estilo de traço tem como objetivo a retratação mais fiel possível à uma imagem ou cena da realidade. Apesar de não possuir uma origem definida, é o tipo de tatuagem que pode ser considerada atemporal. Sempre haverá procura por esse tipo de arte.

A tatuadora Paula Rodrigues (21), conta sua trajetória e a maneira como se descobriu através desse traço. “Eu sempre tive facilidade com o realismo, porque, quando era adolescente, só sabia desenhar utilizando essa técnica”. A jovem conta que aos 16 anos já fazia retratos com lápis de cor para vender e ajudar a comprar seus materiais no colégio. “Sempre estudei sobre o assunto, então, fui capaz de entender desde cedo as estruturas dentro dessa arte. Mas é claro que precisa de muita prática e aos poucos fui notando evolução”, explica Paula.

Assim como em tantos outros estilos, existem muitos desenhos diferentes quando se trata da tatuagem realista. “Sinto que os trabalhos com pets estão com mais visibilidade no mercado. Hoje em dia, todo mundo tem um animal de estimação que ama demais e quer carregar consigo para sempre”. Paula conta que, apesar de tatuar mais gatinhos, gosta de todos. “Cada um tem um rostinho único e um brilho específico no olhar. Sempre vejo o cliente emocionado e realizado no final de cada trabalho. Isso tem muito significado para mim”.

Além do realismo de animais, a tatuadora tem outros projetos em andamento e também se dedica a uma outra linha de trabalho. “Tenho feito tatuagens sensuais em corpos reais. Infelizmente, ainda não vejo tanta procura nesse sentido, mas é um tipo de trabalho que você não encontra no Pinterest ou Instagram com facilidade”. Em uma sociedade repleta de padrões de beleza que despertam inseguranças, ainda há muito a ser mudado. A artista ressalta a importância de ir na contramão dessas imposições que possuem diversos impactos negativos na maneira como as mulheres se enxergam no espelho: “Muitas clientes me chamam e falam ‘acho que isso não vai ficar bom em mim, porque meu corpo não é magro’, por isso, trabalhamos sempre através do diálogo, buscando a autoestima e o empoderamento”.

Em meio a tantos estilos, fica até difícil escolher um preferido, né? O universo de possibilidades dentro das tatuagens é imenso. Por isso, não tenha medo de ousar, criar e registrar na pele aquilo que tem significado para você ou o que você só acha bonito mesmo e quer carregar consigo.

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The article above was edited by Angela C. A. Caritá.

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Bárbara Vetos

Casper Libero '23

A latin american journalism student who talks about politics when she can - and when she cannot :)
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