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Culture

Resenha │ “Moxie – Quando As Garotas Vão Á Luta”

Vivian Carter (Hadley Robinson) é uma estudante de ensino médio tímida e reservada que, contando apenas com a sua melhor amiga de anos, Claudia (Lauren Tsai), tenta sobreviver a mais um primeiro dia de aula. Estamos diante de outro drama adolescente sobre excluídos ganhando espaço entre os populares? “Moxie: quando as garotas vão à luta” não é bem assim.

Rapidamente percebemos que a dinâmica social existente em East Rockport High é manchada por um machismo institucional pungente. Não apenas as garotas estão sujeitas às desigualdades de gênero mais sutis e mascaradas (como o clube de futebol feminino não ter o apoio ou a mesma visibilidade que o clube de futebol americano masculino), como também a assédios vergonhosamente explícitos.

Essa realidade passa a ser questionada por uma aluna nova, Lucy Hernandez (Alycia Pascual), que não se deixa “abaixar a cabeça” para o sistema que a cerca, em uma luta quase solitária. A força de vontade da garota comove Vivian que, tomando como inspiração o movimento feminista punk dos anos 1990, “Riot Grrls”, o qual sua mãe (Amy Poehler) fazia parte no colégio, passa a produzir e distribuir anonimamente uma zine (ou revista independente) para desabafar sobre seus descontentamentos enquanto mulher na escola, nasce a “Moxie”, ou “Bravura”.

 

O que a jovem não esperava era que seu pequeno ato rebelde pudesse alcançar inúmeras adolescentes, também cansadas de se sentirem sozinhas em suas próprias lutas e reivindicações. Ao mesmo tempo que lidar com a segunda identidade de “Moxie” seja estressante, Vivian se vê realizada por desencadear o nascimento de um clube feminista em Rockport High. Garotas tão diferentes entre si — negras, latinas, amarelas, brancas, trans, com deficiências, populares ou anônimas — se reúnem para tornar a instituição mais justa, inclusiva e um espaço seguro para as mulheres. Debatendo temas importantes como a diferença de oportunidades, exigências para comportamento e vestuário e, no clímax do longa, estupro, as meninas do Moxie começam uma revolução local e, também, uma grande amizade.

O filme dirigido e estrelado por Amy Poehler é baseado no romance homônimo de Jennifer Mathieu e entrega uma história de traços divertidos leve e natural, apresentando didaticamente o problema do patriarcado e, de maneira otimista, como as garotas podem se organizar para combatê-lo. Claramente pensado para um público-alvo com a mesma idade da protagonista, Moxie se apega ao movimento #MeToo acrescentando o charme do grunge e do “punk feminism” de Kathleen Hanna para se tornar mais apelativo, e isso dá muito certo. O longa se foca em sororidade e no ideal de que juntas as mulheres podem tudo, ainda que perca grande parte se seu potencial crítico por apresentar muitas pautas feministas que precisam de aprofundamento e de uma abordagem séria, porém apenas tangenciá-las (o desfecho do estupro me deixou especialmente desapontada). Além disso, as reivindicações são resolvidas quase que instantaneamente e tudo termina, literalmente, em festa.

Muitos ao assistirem a produção poderão pensar “isso é feminismo liberal, isso é feminismo branco” por Vivian ser a típica garota loira de olhos azuis e pele de porcelana, sem contar que, mesmo apresentando um amadurecimento incrível no decorrer filme ela ainda é uma adolescente, com problemas e mentalidade de sua época, então não podemos pensá-la como uma líder, ou mesmo como Kathleen Hanna, em momento algum. Moxie reconhece essa falha de forma muito inteligente em um diálogo entre Vivian e Claudia, no qual a segunda, amarela e filha de imigrantes, expõe a hipocrisia da primeira em pensar que o movimento feminista funciona do mesmo jeito para todas as mulheres. Lembremos que união é importante, mas é necessário saber escutar os diferentes locais de fala. Penso também para quem Moxie almeja como público alvo, garotas jovens no ensino médio, como fator introdutório, acredito que o filme tenha muito valor a oferecer às nossas jovens.

De forma geral Moxie é um bom filme, como pontos negativos devo reforçar a superficialidade de alguns debates, a quebra de ritmo do movimento com os problemas pessoais da protagonista e um desfecho um pouco fantasioso e com a sensação de “e viveram felizes para sempre”. Já como pontos fortes e positivos destacam-se a performance convincente de um elenco juvenil promissor, os diálogos interessantes e naturais, a apresentação de pautas relevantes para a sociedade e uma trilha sonora fenomenal (rock dos anos 1990 na voz das minas, preciso dizer mais?!), enriquecida pela participação do The Linda Lindas.

Se você ficou interessado, confira não deixe de assistir “Moxie: quando as garotas vão à luta” na Netflix!

 

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O artigo acima foi editado por Leticia Rocha.

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Sabrina Andrade

Casper Libero '21

Graduanda da Faculdade Cásper Líbero em Jornalismo. Gosto de falar sobre Entretenimento.
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