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Mad Men é uma série de televisão dramática estadunidense, que se passa na década de 1960. O enredo tem como personagem principal Don Draper (Jon Hamm), um diretor de criação da Sterling Cooper, uma agência de publicidade localizada na Madison Avenue, em Nova York. A série gira em torno da agência e as vidas das pessoas que trabalham nela, além das mudanças sociais ocorridas nos Estados Unidos da época.

Justamente por acontecer nos anos de 1960 à 1970, o ambiente em que as personagens femininas se encontram é machista. É um local de trabalho onde as mulheres são vistas para servirem aos homens e serem suas secretarias, além da necessidade de abrir mão de suas carreiras para casar. Ou seja, a mulher é colocada para servir às figuras masculinas tanto no âmbito familiar como profissional.

Logo no início é possível ver essa situação quando Peggy Oslon (Elisabeth Moss), a nova secretária, ao chegar na empresa escuta de sua superior que, se tiver sorte, ela irá se casar com alguém e parar de trabalhar. Desta forma, o desenvolvimento das principais figuras femininas da série simboliza a luta das mulheres da época contra o machismo, o início de uma onda feminista que trouxe mudanças significativas para o mundo.

Conheça as mulheres da série:

Peggy

O começo da série se dá com a chegada da Peggy Oslon como nova secretária do Draper. Por meio dela nós somos apresentados aos personagens e ao mundo que os cercam. Peggy se mostra uma pessoa inteligente e perspicaz, o que faz com que rapidamente se destaque no ambiente de trabalho, principalmente pela sua ideia em uma campanha de batom, e se torna redatora.

Ao contrário de muitas mulheres na série, Peggy é considerada o “patinho feio”, fato que não impede que ela sofra com o machismo, pelo contrário, inicialmente ela presencia a ideia de ter que servir aos homens da agência em que trabalha. No entanto, ela ainda lida com pessoas falando sobre a sua aparência: que ela deveria se arrumar mais, se vestir melhor, ser bonita e feminina para vencer.

Ao conseguir crescer na carreira e se tornar o braço direito do Don, Peggy deixa de pertencer tanto ao grupo das mulheres, como também não faz parte do grupo dos homens, sendo odiada por esses dois grupos. Ela rompe uma barreira, vai contra as expectativas de todos e, por isso, precisa enfrentar a hostilidade vinda dos dois grupos.

Com isso, ela trabalha mais do que qualquer um, tem ideia da fragilidade do seu cargo e, por isso, não se permite descansar em nenhum minuto. Consequentemente, Peggy faz uma escolha, que por mais que não seja totalmente consciente, faz com que ela deixe sua vida amorosa em segundo plano, abrindo mão de relacionamentos e diversas oportunidades para conseguir uma vida desejada por toda mulher daquela época. Desta forma, Peggy não quer escolher entre respeito profissional e afeto, abrindo novos caminhos para alcançar aquilo que deseja, sem deixar sua ética de lado.

Ao passo que seu cargo se consolida, ela vai ficando cada vez mais hábil a lidar com o machismo e as dificuldades que este lhe proporciona.

Joan

Joan é uma mulher que chama atenção por sua beleza e, principalmente, por sua sensualidade. Em um ambiente de trabalho em que as funções tradicionais de apoio são das mulheres, esse papel de subserviência se confunde com a sexualidade. Joan usa do poder que tem para conseguir o que deseja. Ela tem noção de sua beleza e faz questão de ser notada, utilizando ao seu favor.

À primeira vista parece ser uma mulher moderna, visão que não se sustenta ao longo da série. Ela deseja se casar, constituir uma família e, mesmo que ame seu trabalho, abre mão disso. A primeiro momento, ela não parece acreditar na quebra dos costumes tradicionais impostos às mulheres, como também não acredita nesse poder feminino.

No início da série, Joan aparenta ser uma mulher segura e detentora de um saber vindo de suas experiências e vivências. Não se deixa iludir pelo mundo machista em que vive, tendo conhecimentos das regras que existem ali.

Mesmo com as mulheres do seu círculo social, Joan se mostra competitiva, até mesmo agressiva. Quando Peggy consegue o cargo que deseja, Joan parabeniza a colega, mas sente que gostaria de estar no seu lugar. Desta forma, ela não é amiga de ninguém, não acreditando em nenhuma benevolência vinda dos outros, sempre duvidando de quem se aproxima.

No entanto, mesmo utilizando de seus recursos femininos, ela possui a dificuldade de ser levada a sério. Sendo uma mulher muito competente no que faz, possuindo uma organização admirável e um esforço por aquilo que lhe é submetido, Joan não deixa de atuar apenas nos bastidores, o que dificulta seu reconhecimento.

Quando seu trabalho se torna muito importante, criam um cargo e dão para um homem, sendo submetida novamente ao seu trabalho habitual. Mesmo que diga que não quer subir na carreira – igual à Peggy – Joan sabe que seu trabalho é mais frágil ainda do que o da colega, e possui um medo de ser deixada para trás.

Betty

Betty (January Jones) é uma das mulheres mais bonitas da série, apresentando todos os modelos de perfeição daquela época, não sendo apenas como um ideal de beleza, mas também de mulher.

Foi criada para ser a esposa impecável. Casada com o Don, juntos constituem uma família perfeita, com o marido perfeito, uma casa perfeita e filhos perfeitos. Apesar de ter passado por duas gestações e cuidar dos afazeres da casa, Betty consegue manter sua beleza, sabe se portar diante das situações e, devido ao seu encanto e competência, ajuda Don a construir uma imagem de homem bem-sucedido. Com esse encanto, Betty se torna desejada por todos.

No entanto, ela se mostra insatisfeita, carregando várias angústias dentro de si. Sua insegurança se pauta no marido, que muitas vezes mostra desinteresse por ela e pela sua vida familiar. Refletindo na sua solidão, ela possui a vontade de ser desejada e de voltar à juventude, o que esclarece a decepção com a vida almejada por várias mulheres. Com todos esses desejos femininos que são impostos, Betty tem uma vida perfeita, e por mais que permaneça insatisfeita diante de tudo, ela não questiona a razão de sua infelicidade.

Seu casamento com o Don, desde o início da série, nunca foi verdadeiramente perfeito. Apesar do sucesso financeiro de seu marido ter proporcionado à Betty tudo o que sempre quis, Don a traia com mulheres completamente diferentes dela, deixando claro que Don escolheu Betty apenas para casar e constituir uma família, devido a toda sua competência como esposa.

Ao descobrir as traições e sua origem, Betty perdeu a imagem que tinha do marido como alguém que a protegeria e cuidaria dela, com isso ela toma o impulso de deixar Don, para procurar um casamento que correspondesse às suas expectativas.

Seu relacionamento com os filhos era bem difícil, especialmente com Sally (Kiernan Shipka), a filha mais velha, que puxou tanto a personalidade da mãe como do pai. Betty não era muito tolerante com qualquer coisa que saísse fora de seus planos, por isso, qualquer traço de malcriação já era duramente reprimido. Com a intenção de introduzir a filha a mesma educação que ela tinha sido submetida, Betty entra em um conflito constante com Sally que ocasiona no afastamento das duas.

Apesar dela ser uma das principais representações da mulher tradicional da época, que deixa sua carreira para cuidar do marido, da casa e dos filhos, a figura da Betty tem uma importância significativa na série. Ela mostra a insatisfação das mulheres diante do modelo de vida que era imposto a classe feminina, e os primeiros passos para enfrentar essa insatisfação, ou seja, se divorciando. Ademais, Betty é a única personagem que decide retomar seus estudos depois e aparece lendo um livro feminista. Desta forma, mesmo desejando um modelo tradicional, ela começou a ter consciência do ser mulher ao longo da série.

Megan

Megan (Jessica Paré) foi a segunda mulher de Don. Começou como secretária e tinha a ambição de subir na carreira dentro do escritório, dizendo diversas vezes o quanto admirava Peggy. Ela foi uma das primeiras pessoas a começar a lucrar com o avanço das conquistas das mulheres, por isso via a possibilidade de construir uma carreira, ter um casamento saudável e uma família.

Sua personagem simboliza a liberdade que muitas mulheres estavam começando a experimentar, a oportunidade de embarcar em uma profissão que não fosse de apoio ao homem. No entanto, justamente por sua diferença entre a geração de Don, seu casamento demonstra complicações desde o início. Enquanto Don deseja manter um distanciamento do trabalho com a vida individual, buscando a manutenção de sua privacidade, Megan não se vê presa a essas amarras, levando muito de seus problemas para o ambiente profissional.

Ela vê em seu marido uma pessoa que ama e deseja constituir uma vida em conjunto, mas Don permanece com o pensamento que difere uma mulher ideal para casar e uma mulher com que deseja passar seu tempo, desta forma, não deixa de traí-la.

Megan não deixou de sofrer com o machismo por conta de sua geração. Em vários episódios é possível ver comentários sexuais no ambiente de trabalho relacionado a ela.

Sally

Filha mais velha da Betty e do Don, Sally cresce junto com a série. Seu desenvolvimento começa com a separação dos pais, quando ela passa a viver com a mãe que busca aplicar em Sally a educação que teve quando criança. Por conta da personalidade geniosa, os conflitos com Betty eram constantes, o que causou um distanciamento entre as duas.

Sally vive um conflito entre querer ingressar no mundo dos adultos, mas ainda ter sentimentos de apego com sua infância, com isso, ela permanece em uma linha tênue de permanecer com suas características infantis para ir contra a educação da mãe, e buscar um se comportar como adulta em frente ao pai.

Conforme Sally vai chegando a adolescência, seu encantamento com o pai acaba. A imagem que tinha dele quando criança, a pessoa que tinha orgulho e fascínio, dá lugar a uma visão de um homem egoísta. Sally é a única pessoa que conhece seu pai, talvez pelo motivo de, desde criança, enxergar seus defeitos, ela não espera que ele seja algo que não é. Apesar de todos os conflitos que se desenvolvem entre os dois, Sally não consegue acabar com a relação que possui com ele, pois como Don mesmo disse, ela tem tanto do pai quanto da mãe.

Sally teve um amadurecimento acelerado, buscava de várias formas poupar os irmãos das relações familiares, cuidando de cada um quando os pais não estavam presentes. No entanto, apesar de sempre se mostrar inflexível diante dos ensinamentos da mãe, pouco a pouco, ela acaba adquirindo as características denominadas às mulheres da época.

Dawn | A luta dos negros por reconhecimento social

Dawn Chambers (Teyonah Parris) é uma das últimas mulheres a aparecer na série Mad Men, entretanto, com uma enorme importância. Ela representa a luta dos negros pelo direito civil, e se torna a primeira mulher negra a trabalhar na agência de publicidade.

Antes quando apareciam negros na série eram em cargos como babá ou ascensoristas, no qual nem sequer falavam. Quando Dawn entra na agência seu cargo é igual ao de Peggy, uma secretária.

Apesar de ter conseguido um trabalho em uma empresa majoritariamente branca, que é um grande passo, Dawn não deixa de ter suas dificuldades, tão representadas na série.

Durante toda as ondas de protestos pelo direito civil, ela passou um tempo dormindo no escritório com medo da violência que os negros sofriam. Quando Martin Luther King morre, Dawn vai ao trabalho e deixam todos surpresos, já que um líder importante para os negros tinha sido assassinado. O que se difere de quando o presidente Kennedy foi morto, no qual os funcionários tiram o dia de folga.

Portanto, apesar de Dawn representar um avanço dos negros dentro de suas lutas, ela não deixa de ter dificuldades que são além das personagens até então apresentadas. Dawn tem que lutar tanto com o machismo, como com o racismo, gerando a necessidade de ter que se esforçar mais do que qualquer um para manter seu emprego.

Por fim, Mad Men é uma série que apesar de ter como protagonista um homem, tem uma importância na representação da mulher nessa época. Apresenta toda a insatisfação feminina pelas situações que eram impostas, o seu não contentamento por uma vida considerada “perfeita”, a coragem do enfrentamento do divórcio e de seguir com os sonhos de ter uma carreira. Não apenas mostrando as mudanças, mas as situações de abuso e machismo, no qual a mulher era colocada para servir o homem dentro de casa e no ambiente profissional. Retrata uma época em que mudanças começaram a acontecer, e os diversos impactos que isso teve em várias gerações. 

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The article above was edited by Carolina Grassmann.

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Hi, I’m Analuá Baptista, 19 years old. Currently, I am studying Communication and Journalism.
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