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O autodescobrimento da bissexualidade não é uma tarefa fácil, principalmente dentro de parâmetros sociais baseados em padrões como a monossexualidade e a heterossexualidade. Portanto, sair desse “casulo”, não é uma tarefa apenas desafiadora, como também pode ser dolorosa. 

Entre comentários de fetiche e invalidação, há o sentimento de jovens que estão tentando se encaixar e pertencer a sociedade. Para entender um pouco mais sobre essa realidade, a HC conversou com três meninas que se entendem como bissexuais e enfrentam desafios durante a luta pela conquista do seu espaço tanto fora, como dentro da comunidade LGBTQIA +.

 

"Me enxergam como confusão”

Para algumas meninas que preferem manter-se em anonimato, há a impressão de que enquanto são vistas como promíscuas no meio hétero, dentro da própria comunidade LGBTQ+ — que mesmo carregando o B consigo — acabam sendo notadas apenas como “aliadas”, e não como membros; uma invisibilização ainda maior de sua sexualidade.

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Os dados apresentados pela organização britânica Equality Network, comprovam essas sensações descritas pelas jovens, visto que o sentimento de não participação é frequente entre pessoas bissexuais. Entre essas jovens, cerca de 66% se sentem pouco ou nada parte da comunidade LGBTQ+, ao mesmo tempo em que 69% têm o mesmo sentimento em relação à comunidade heterossexual.

 

“Minha sexualidade é vista como algo vulgar”

Quando questionadas sobre como se sentem sendo mulheres e bissexuais, alguns depoimentos comprovaram o receio de serem quem são, estando portanto, em uma espécie de "Não-Lugar'', entre héteros e homossexuais. Essa falta de colocação, é proveniente, muitas vezes, dos comentários e ações repercutidas pelo meio social contra essa minoria.

As entrevistadas acabaram demonstrando essas percepções em suas falas: “eu sinto que acontece um julgamento, de forma que minha sexualidade é vista como algo vulgar.” e “meus pais dizem que mulheres bissexuais são piranhas e gostam de tudo, eu me sinto mal por isso, porque eu não sou assim”. Constatações como essa provam a dificuldade envolvida no processo de assumir como bissexual.

 

“Minha família enxerga como put*ria, já meus amigos me acolheram da melhor maneira possível”

Ainda nesse panorama da juventude, foi um consenso entre as entrevistadas a dificuldade que é se assumir para a família, já que muitas delas percebem que além do preconceito contra pessoas LGBTQ+, existe a ideia de que a bissexualidade é resumida à depravação. No entanto, contam que há um grande apoio dos amigos nesse quesito, que, por serem de gerações mais novas, também acabam tendo um papel essencial no acolhimento necessário.

Todavia, os comentários acabam sendo mais negativos do que positivos, principalmente na realidade virtual, refletindo assim, na saúde mental e até física da comunidade bissexual. Segundo dados divulgados pela American Psychiatric Association, o risco de suícidio entre membros acaba sendo maior do que entre heterossexuais, lésbicas e gays.

Ademais que, as taxas de ansiedade, depressão e transtornos de humor são mais altas do que entre héteros e homossexuais; sendo que a dependência química e alcoólatra acabam sendo mais presentes. A pesquisa também afirma que são quase 21 vezes mais prováveis de já terem cogitado o suícidio do que mulheres héteros. Além de terem duas vezes mais chances de serem diagnosticadas com transtornos alimentares e comparação com lésbicas.

Portanto, a marginalização e discrimiação perante a bissexualidade acabam tendo um efeito extremamente alarmante sobre essa minoria. Combater discursos de ódio e esclarecer desinformações pode ajudar a não apenas melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofrem com a bifobia, como também salvar suas vidas.

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O artigo acima foi editado por Vivian Cerri.

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Victória Escalcon

Casper Libero '24

Public relations student, passionate about communication, human rights and sustainability.
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