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Culture

No Brasil, 31/10 é Dia Nacional da Poesia: Conheça 5 Poetas Contemporâneos da Literatura Brasileira

This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter.

Até 2015 o Dia Nacional da Poesia era comemorado de forma não oficial no dia 14 de março, data de nascimento de Antônio Frederico Castro Alves, também conhecido como poeta dos escravos. O projeto de lei que almejava a oficialização da data foi arquivado, até que em junho de 2015, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 13.131/2015, que determinava a celebração do Dia Nacional da Poesia no dia 31 de outubro, em homenagem ao cronista e poeta Carlos Drummond de Andrade.

É notável a importância de Drummond para a literatura brasileira. O mineiro, nascido em 1902, foi um dos maiores nomes do movimento modernista brasileiro. Publicou seu primeiro livro intitulado ‘Alguma Poesia’ em 1930. Marcadas pelas descrições subjetivas, sarcasmos e reflexões profundas de caráter existencial, as obras poéticas de Drummond foram ganhando cada vez mais destaque não só no Brasil, como ao redor do mundo. Responsável por uma vasta obra literária composta por contos, crônicas e poesias, Drummond é considerado o autor mais influente da literatura brasileira do séc. XX. Suas narrativas de líricas inconfundíveis, como A Rosa do Povo (1945) e Claro Enigma (1951), são aclamadas até hoje. Não à toa, postumamente, Carlos Drummond de Andrade foi contemplado com o prêmio Ordem do Mérito Cultural em 2010.

Há muito tempo a poesia é motivo de uma polarização curiosa por parte dos leitores. De um lado, temos os apreciadores e amantes de poemas densos, sempre à procura de diferentes interpretações para um mesmo verso e da memorização daquelas frases reflexivas dos poetas clássicos. Na contramão desses, existem aqueles que reconhecem o cheiro de um livro de frases soltas a quilômetros de distância e fazem o possível para não chegar perto dele.

Para esses que sempre consideraram a poesia uma categoria antiquada da literatura e feita por autores mortos, vale lembrar que a cultura está mais viva do que nunca e alguns poetas contemporâneos estão por aí para nos mostrar como a arte poética tem se adaptado aos dias atuais.

Fabrício Carpinejar

Nascido no Rio Grande do Sul em 1972, Fabrício Carpi Nejar sempre se interessou pelos livros e pela possibilidade de se expressar através da escrita. Em 1995, se formou em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se tornou mestre em Literatura Brasileira em 2001. Sua estreia como poeta foi em 1998, com o título As Solas do Sol, que lhe garantiu o Prêmio Fernando Pessoa, pela União Brasileira dos Escritores. Classificada pela academia como uma leitura densa, certamente de toda a vasta obra do jornalista, esse é o livro que exige mais dedicação por parte dos leitores.

Ao longo de sua carreira, Fabrício já lançou mais de quarenta livros e acumula mais de vinte prêmios individuais, incluindo o prestigiado Prêmio Jabuti, em 2009, e o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, em 2003. Além disso, Carpinejar é um dos nomes mais relevantes do pós-modernismo poético. Suas poesias, na maioria das vezes curtas, característica do gênero, tratam de forma sintetizada os assuntos do cotidiano e revelam a maneira singular com que o autor enxerga temas como amor, família, tempo e a vida em geral. Com uma abordagem característica e enxuta sobre temas humanos, o autor nos dá a chance de enxergar o mundo à sua maneira através de seu versos.

Obra sugerida: Amor à moda antiga (2016), 70 páginas

Angélica Freitas

Angélica Freitas, de 47 anos, é uma gaúcha natural de Pelotas. Pouco tempo depois de se formar em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Angélica, que confessa ser uma amante das estradas, se mudou para São Paulo e começou a trabalhar como repórter do jornal O Estado de São Paulo. Mais tarde, paralelamente, passou a atuar também para a revista Informática Hoje. Em 2006, Freitas decidiu abandonar o jornalismo para viver da sua paixão pela escrita poética.

Apesar de ter publicado seu primeiro livro somente em 2007, com 33 anos, Angélica já compartilhava suas narrativas através de seu blog e mídias digitais. Seu primeiro título, Rilke Shake, apresenta de forma particular o humor ácido e todo o sarcasmo da autora diante de sua rotina, além de trazer uma construção muito interessante que costura referências pop com clássicos da literatura.

Em seu segundo livro, Um útero é do tamanho de um punho (2012), a gaúcha confronta de forma contundente questões extremamente relevantes como a feminilidade, liberdade sexual, machismo e empoderamento feminino. Atualmente, a poetisa e tradutora já lançou três livros e coleciona uma série de antologias em português e espanhol.

Obra sugerida: Um útero é do tamanho de um punho (2012), 96 páginas

Eucanaã Ferraz

Carioca, nascido na década de 60, Eucanaã de Nazareno Ferraz é um dos maiores nomes da poesia contemporânea. Graduado em Letras em 1984 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde seguiu carreira acadêmica e profissional, o ensaísta e poeta teve sua estreia no mundo da literatura em 1990 com o título Livro Primeiro. Nele, ele apresenta sua visão poética sobre os pequenos detalhes do cotidiano carioca, no qual demonstra forte influência de poetas clássicos da literatura luso-brasileira. Seu livro Sentimental (2012) lhe rendeu o Prêmio Portugal Telecom 2013 e é considerada por muitos a principal obra do autor. Eucanaã também se dedica à literatura infanto-juvenil, tendo dois de seus livros da categoria premiados nacionalmente. Atualmente, é professor do curso de Letras da UFRJ e também atua como pesquisador de poesia portuguesa contemporânea.

Dono de uma narrativa descritiva invejável, o poeta consegue facilmente levar seu leitor a um mergulho por suas ideias, que apesar de claras abrem espaço para uma subjetividade ímpar, além da pluralidade de sentidos. A sonoridade dos versos, resultado de uma métrica rigorosa, fazem com que até os poemas mais longos se tornem leves, como aqueles livros instigantes que acabam sem que se perceba.

Obra sugerida: Retratos com erro (2019), 111 páginas

Mel Duarte

Nascida em meio ao caos da grande cidade de São Paulo, em 1988, Mel Duarte teve seu interesse pela literatura despertado na escola, aos oito anos de idade. Em 2006, conhece os saraus e a poesia de rua e logo se identifica com o gênero. Graduada em Comunicação Social, Mel até tentou se dedicar à carreira, porém, após a publicação do seu primeiro livro de poesias Fragmentos Dispersos, em 2013, ela decide se entregar de vez aos seus impulsos poéticos e se tornar produtora cultural.

Com uma linguagem atual e direta, Mel Duarte logo se tornou viral com suas participações nos Slams paulistas. Abordando temas como resistência, realidade da mulher negra no Brasil, auto aceitação, negação dos padrões estéticos e representatividade da periferia, a slammer se tornou a primeira mulher vencedora do Rio Poetry Slam, em 2016, ano em que lançou seu segundo livro, Negra, nua e crua. No ano seguinte, Mel foi convidada para representar a poesia de rua brasileira no Festival de Literatura Luso-Afro-Brasileira, na Angola. Em 2019, tornou-se a primeira mulher negra a lançar um disco de poesia falada no Brasil, o Mormaço.

Obra sugerida: Mormaço – Entre outras formas de calor (2019)

Alice Sant’Anna

A carioca de 32 anos descobriu sua paixão pela escrita aos 16 anos. A descoberta a guiou para que se formasse em jornalismo, carreira a qual se dedica até hoje como produtora de conteúdo da revista Serrote, do Instituto Moreira Salles. Estreou oficialmente como escritora em 2008 após a publicação de seu primeiro livro, intitulado Dobradura, porém, assim como outros escritores da sua geração, Alice compartilhava alguns de seus poemas em seus perfis nas redes sociais.

Seu primeiro livro lhe rendeu ótimos frutos na literatura contemporânea. Apresentando a essência de uma alma jovem, Alice nos mostra como detalhes, aparentemente triviais para olhares desatentos, podem se tornar fontes para questionamentos relevantes sobre a vida. Já em 2013, a poeta lançou mais uma obra poética, Rabo de Baleia. Dessa vez, nota-se traços de escrita diferentes da primeira, fato que é interessante pois nota-se como aquele olhar, muitas vezes inocente para algumas questões, agora torna-se mais amadurecido e embasado. Com uma narrativa voltada à realidade atual, uma visão de mundo que se mostra ilimitada e descrições minuciosas, Alice se consolida como uma das principais vozes de sua geração.

Obra sugerida: Rabo de Baleia (2013), 61 páginas

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A matéria acima foi editada por Bruna Sales

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Nathalia Jesus

Casper Libero '23

Tenho 18 anos, sou da ZL de São Paulo. Sempre muito observadora, apaixonada por programas de rádio e em busca de novas histórias, me tornei estudante de jornalismo. Amo filosofia, ouvir MPB e chá de hortelã.