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Dia Nacional do Documentário Brasileiro: 6 Documentários Nacionais Indispensáveis e Onde Assisti-los

O Dia Nacional do Documentário Brasileiro é comemorado todos os anos no dia 7 de agosto. Sendo um produto artístico não ficcional semelhante aos filmes, o documentário é caracterizado principalmente pelo compromisso com a exploração da realidade. Apesar de possuir um roteiro, ele não é escrito e nem planejado, mas construído processualmente de forma criativa e nem sempre fiel à realidade.

No Brasil, esta data foi escolhida recentemente pela Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) para homenagear o aniversário do cineasta Olney São Paulo. Ele nasceu na mesma data, no ano de 1936, em Riachão do Jacuípe, no interior da Bahia. Autor de “O profeta de Feira de Santana” (1970) e “Ciganos do Nordeste” (1976), foi o único cineasta durante o período militar no Brasil a ser preso e torturado devido à exibição de um documentário de sua autoria chamado “Manhã Cinzenta”. O longa aborda o primeiro sequestro de um avião brasileiro, por militantes do MR-8, e a ida para Cuba. A data se tornou referência para este tipo de produção cultural, que está ganhando cada vez mais destaque e atraindo diversos públicos, dentro e fora do Brasil.

A presença de documentários no mercado cultural se tornou cada vez mais evidente, abordando diversos temas, contando as histórias que estão por trás da cortina e dando voz para realidades que nem sempre são divulgadas. Pensando nisso, a Her Campus selecionou 6 documentários indispensáveis, fáceis de encontrar e que você não irá se arrepender de adicionar à sua lista de reprodução.

Democracia em Vertigem (2019) - Direção: Petra Costa

Indicado ao Oscar de Melhor Documentário em Longa Metragem em 2020, o documentário brasileiro concorreu à premiação junto com grandes nomes da categoria, como Indústria Americana, de Julia Reichert e Steven Bognar, The Cave, de Feras Fayyad, For Sama, da síria Waad al-Katea, e Honeyland, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov.

A partir da própria perspectiva, a diretora Petra Costa retrata momentos políticos importantes para a história do país, comparando o início da democracia brasileira com sua idade. Isso porque a autora nasceu em 1983 e, no ano seguinte, a ditadura militar no Brasil chegou ao fim.

Apesar de muito bem recebido pela crítica internacional, diversos sites de apostas colocavam a indicação do longa ao Oscar em último lugar, pois consideravam a qualidade do longa inferior aos seus quatro concorrentes. Mesmo gerando polêmicas de polarização de opinião nas redes sociais e não recebendo o troféu na categoria, o documentário ainda é muito elogiado e reconhecido mundo afora.

Sinopse:

Documentário sobre o processo de impeachment da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que foi considerado como um dos reflexos da polarização política e da ascensão da extrema-direita para o poder. O filme conta com imagens internas e exclusivas dos bastidores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Palácio da Alvorada, enquanto ocorria a votação para a queda de Dilma.

Disponível em: Netflix.

Quem matou Eloá? (2015) - Direção: Lívia Perez

O documentário de Lívia Perez ganhou mais de cinco prêmios brasileiros e internacionais, como o  Melhor Curta Paulista no Semana Paulistana do Curta Metragem em 2015 e Melhor Documentário em Curta-metragem no Genni Awards - Alliance for Women in Media Southern California no mesmo ano. Além disso, participou em festivais como Hot Docs/Canada (2016) e Mostra Edital Carmen Santos - Cinema de Mulheres e Filmes Convidados (2016).

Durante uma entrevista concedida à Carta Capital, a autora afirma que sua maior motivação para produzir o documentário “foi o fato de que em nenhum momento da intensa cobertura midiática do crime se utilizou a expressão ‘violência contra a mulher’, apesar de estarmos diante de um caso clássico deste tipo de crime e de o Brasil ser um dos países líderes em feminicídio no mundo”.

A repercussão do caso Eloá gerou duras críticas à imprensa pela maneira como os fatos do crime foram noticiados e repercutidos.  Além disso, o documentário explica que a romantização do assassinato de mulheres contribui cada vez mais com os inúmeros exemplos de feminicídio no Brasil, visto que, em média, a cada 7 horas uma mulher é morta pelo único fato de ser mulher.

Sinopse:

Em 2009, Lindemberg Alves, de 22 anos, invadiu o apartamento da ex-namorada, Eloá Pimentel, de 15 anos, armado, mantendo-a refém por cinco dias. O crime foi amplamente transmitido pelos canais de TV. O filme traz uma análise crítica sobre a espetacularização da violência e a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, revelando um dos motivos pelo qual o Brasil é o sétimo no ranking de países que mais matam mulheres.

Disponível em: YouTube.

Ilha das Flores (1989) - Direção: Jorge Furtado

Um clássico das aulas de geografia. O curta aborda todo o processo de utilização de um alimento, desde a produção, transporte, compra, consumo e descarte, mas principalmente, o lugar para qual é levado depois de se tornar lixo orgânico. O documentário de Jorge Furtado já ganhou diversos prêmios, como Melhor Curta-Metragem, Melhor Curta do Júri Popular, Prêmio da Crítica e mais 6 prêmios no 17° Festival de Gramado, em 1989 e o Blue Ribbon Award no American Film and Video Festival, New York, 1991.

Um levantamento feito em 2019 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema classificou o filme como o melhor curta-metragem brasileiro da história. Mesmo há muito tempo no mercado cultural, o curta é importante para entender uma realidade completamente diferente e que nem sempre é contada de forma verídica e explícita.

Sinopse:

Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. O filme segue-o até seu verdadeiro final e então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

Disponível em: YouTube. 

O Sal da Terra (2015) - Direção: Juliano Salgado e Wim Wenders

Indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015 e vencedor do prêmio francês César de Melhor Documentário, Juliano Salgado descreve o pai Sebastião Salgado em parceria com Wim Wenders, reconhecido cineasta alemão.

Vencedor do Platino Award for Best Documentary, o longa apresenta a visão de mundo através das lentes do exímio fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Segundo a crítica geral, os bastidores das incríveis fotografias fornecem uma aproximação a um método de trabalho muito preciso e apaixonado, o que confere grande êxito à produção documental.

Cumprindo seu papel como filho e diretor, Juliano Salgado concedeu uma entrevista à Revista Encontro em que afirmou que “(...) o documentário tem uma mensagem muito forte. O Sebastião não chegava em algum lugar e simplesmente fotografava. Ele convivia com as pessoas, se tornava amigo delas. Apesar das histórias tristes, nossa ideia é passar uma mensagem de otimismo e esperança”.

Sinopse:

Conheça a trajetória do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, desde seus primeiros trabalhos em Serra Pelada, o registro da miséria na África e no Nordeste do Brasil até sua obra-prima, "Gênesis".

Disponível em: YouTube.

Ser Tão Velho Cerrado (2018) - Direção: André D’Ella

O filme de André D’Ella foi condecorado com o Prêmio do Público de Melhor filme na sétima edição da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em 2018. O longa é importante para se conscientizar das ações do desmatamento sobre o meio ambiente e promover uma discussão mais profunda sobre um assunto que merece atenção redobrada. O elenco traz atores como Juliano Cazarré, Reynaldo Gianecchini e Valéria Pontes.

Muito bem recebido pela crítica, é visto como mais do que um filme denúncia - uma obra de resistência. Segundo a Mostra Ecofalante,  o longa representa um grande estímulo para introduzir, debater e prosseguir em temas relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os ODS foram criados junto à Agência 2030 durante uma reunião de líderes mundiais na sede da ONU, em Nova York, no ano de 2015, a partir de um plano de ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir a paz e a prosperidade às pessoas.

Ambos os projetos afirmam que, para encaminhar o mundo em uma linha sustentável, é mais do que necessário tomar medidas ousadas e transformadoras. Os ODS constituem uma lista de tarefas que todas as pessoas devem cumprir até o ano de 2030. No documentário, a ideia é poder transmitir a importância de criar o compromisso com o planeta, cumprindo com essa lista de incumbências e contribuindo para um futuro mais verde e humanitário.

Sinopse:

O Cerrado sofre com desmatamentos recordes levando um ecossistema inteiro à extinção. Preocupados, alguns moradores da Chapada dos Veadeiros decidem se unir para defender a natureza. A elaboração de um plano de manejo os desafia a conciliar interesses aparentemente incompatíveis, abrindo um diálogo necessário entre a comunidade científica, agricultores familiares, grandes proprietários de terra e defensores do meio ambiente.

Disponível em: Netflix e YouTube

Guerras do Brasil.doc (2018) - Direção: Luiz Bolognesi

A série documental de Luiz Bolognesi traz uma aula de história diferente em apenas 5 episódios curtos. Por meio de depoimentos de antropólogos, sociólogos, historiadores, professores e representantes de movimentos sociais, são retratados os principais conflitos armados no Brasil a partir da perspectiva daqueles que são o centro da maioria deles: indígenas, quilombolas, negros e operários, possibilitando uma reflexão sobre suas raízes e as consequências até hoje.

Em 2018, a série conquistou o prêmio Petrobrás de Jornalismo, tornando-se um dos trabalhos mais premiados da história do o Globo. Além disso, em 2019, a equipe de roteiristas ganhou o prêmio de Melhor Roteiro de Série Documentário/Reality pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA), um importante reconhecimento do meio.

Sinopse:

Conheça os fatos e as diferentes versões dos principais conflitos armados da história do país. A narrativa será costurada pelos depoimentos dos principais conhecedores dos fatos.

Disponível em: Netflix. 

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A matéria acima foi editada por Bruna Sales

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Second year student of Journalism at Faculdade Cásper Líbero. 20 years old, taurine and in love about communication.
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