Rugby Feminino: Do Surgimento Às Modalidades Universitárias

Jogos com bola e contato físico são praticados pelas sociedades há muito tempo. Desde o final do século XVIII, os antigos jogos com bola medievais, chamados de “football”, passaram a ser incorporados pelo sistema de ensino britânico como parte da educação física e da recreação dos garotos. Ainda que o jogo de Rugby tenha sido praticado pelo menos desde os anos 1820, foi em 1846 que as primeiras regras foram escritas, formalizando-se o Rugby Football.

Foi nos anos 1990 que o Rugby feminino, enfim, deu seus primeiros passos no Brasil, e a cada ano que passa conquista um espaço maior no país, principalmente nas universidades, e a Cásper Líbero é uma delas!

Foto: Instagram do Rugby Feminino​ da Cásper

A Cásper Líbero

O time de Rugby feminino da Cásper foi criado em 2007, assim que o time masculino começou a se organizar. Porém, quando o Rugby masculino entrou como modalidade definitiva no JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Arte), o feminino tinha cinco meninas da Cásper. Assim, em 2011 as meninas do time jogaram o JUCA contra os meninos da Cásper para demonstrar. Chegaram a ganhar um troféu porque tinham combinado de ir com a ECA para fazer o demonstrativo, mas as ecanas não foram.

O Rugby feminino da Cásper tem muitos altos e baixos pela dificuldade que é manter uma equipe que não tem nenhuma competição. Em 2014, o time quase chegou ao fim, porque havia apenas quatro meninas e a treinadora foi embora. Com a ideia de reerguer o time, casperianas começaram a chamar outras meninas da faculdade e, em 2015, contrataram a treinadora Adriana Moraes.

Foto: Instagram do Rugby Feminino​ da Cásper

Funcionamento

Ao longo do tempo, variações do esporte surgiram. A mais praticada é o Rugby de quinze (XV) e o de sete (sevens) que é a modalidade olímpica. O Rugby de quinze é disputado por duas equipes de quinze jogadores, numa partida de duas partes de quarenta minutos contínuos.

Já o Rugby de sete é uma variante sancionada pela World Rugby jogado com apenas sete jogadores em cada time e em dois tempos de sete minutos cada. Uma competição de Rugby de sete dura geralmente 1 ou 2 dias. Em países em que o Rugby tem pouca popularidade geralmente usa-se o Rugby de sete em jogos de exibição para promover o esporte.

Prêmios

Hoje, o time possui cerca de 20 meninas, tendo teoricamente um time inteiro para trocar. Os campeonatos de Rugby são diários, ou seja, um mesmo dia com vários jogos. Diferentemente do NDU (Novo Desporto Universitário), por exemplo, que durante seis meses joga todo fim de semana.

Há dois anos, o time da Cásper já foi convidado pelo organizador do campeonato mundial de Rugby, Série Mundial de Sevens Feminina, para participar de uma das etapas que foi aqui no Brasil. O organizador do evento junto do patrocinador principal, Redbull, teve a ideia de fazer um campeonato universitário dentro desse campeonato mundial. No intervalo desses jogos das melhores do mundo, teve jogo universitário e a Cásper jogou. Só duas faculdades particulares foram convidadas, além de duas públicas: Cásper e Mackenzie, Unesp e USP, sendo o principal momento do time até então.

No JUCA de 2016, houve o primeiro teste da modalidade na competição e o time feminino de Rugby da Cásper foi campeão. Para uma modalidade começar a fazer parte do JUCA, ela tem dois anos de teste, o chamado "esporte demonstrativo". Com isso, as jogadoras da Cásper começaram a ir atrás de meninas de outros times e modalidades, como as garotas do futsal da Belas Artes, as do handebol da Metodista, entre outras, e conseguiram que três faculdades fizessem o time de Rugby para jogar o demonstrativo e, assim, consolidar a modalidade no JUCA.

O que pensam as casperianas

Duas ex-jogadoras, Izabela Borba e Isabella Cotta contaram sobre o que o Rugy representa para elas. Borba ressaltou a importância de treinar regularmente: “o Rugby pra mim é muito importante e pratico na Cásper desde 2015. Eu me dediquei muito a esse esporte. Em 2016, estava sempre  presente nos treinos porque é algo que me faz muito bem. O Rugby é um esporte diferente de outros que já pratiquei, porque ele é muito inclusivo, então têm as meninas que são gordinhas e as magrinhas, têm as altas, as rápidas e as que não enxergam tanto, todo mundo tem o seu lugar, eu me sinto muito bem onde todos se sentem bem. No Rugby você precisa minimamente saber andar (risos). A Cotta (Isabella Cotta) era a capitã em 2015, mas ela teve uma lesão e, assim, eu assumi como capitã do time no ano seguinte”.

Foto: Seu Juca Oficial 

Cotta disse que conheceu o Rugby por meio do pai, que jogava na faculdade, "então quando eu nasci era algo que já tinha em casa. Quando era criança não gostava muito, achava violento, mas com o passar do tempo resolvi que queria participar. Meus pais eram contra, meu pai tinha parado de jogar e minha mãe achava agressivo, mas mesmo assim comecei a jogar na escola. Entrei no time da Cásper em 2013, quando entrei na faculdade. O Rugby, em 2016, era a melhor parte da minha vida, do meu dia, era uma escolha que eu fiz por mais que haja sacrifício. Dia de treino era um dia que eu chegava cansada em casa, mas feliz. No time, você nunca perde, no final de um jogo, todo mundo se abraça e sempre tem o terceiro tempo: todos os times se encontram para confraternizar e serem amigos, se divertirem e agradecem a oportunidade de existir alguém para estar jogando e proporcionando essa alegria que é jogar Rugby, então é um sentimento de gratidão muito forte”.

Foto: Seu Juca Oficial (time de 2018, campeão no JUCA) ​

Edição: Marcela Schiavon